Publicado 04 de Setembro de 2015 - 19h28

FOTOS DE LEANDRO

Cecília Polycarpo

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Uma locomotiva a diesel de 1958 volta a circular hoje em Campinas depois de passar por oito meses de restauro. O trem que operou no transporte de passageiros até 1971 foi completamente recuperado para fazer o mesmo trajeto que a Maria Fumaça. A regional campineira da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) afirmou que o veículo RSD-8, de três eixos, vai ajudar o trem a vapor nos dias de pico.

O diretor-regional da associação, Helio Gazetta Filho, afirmou que hoje o Brasil tem poucas locomotivas a diesel. O que ocorre é o mesmo que aconteceu com os trens há vapor há quatro décadas, quando elas começaram a ser substituídas pouco a pouco por composições mais modernas. Por isso a ABPF iniciou um movimento de reparo e resgate dos trens a diesel antigos. “Não podemos assistir de camarote a essas locomotivas desaparecerem também”, falou. Gazetta montou uma força tarefa para conseguir pelo menos quatro exemplares dos modelos e montar um acervo na associação. O movimento começou em 2012, quando foi restaurada uma locomotiva que pertenceu à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

A locomotiva que irá de Campinas a Jaguariúna começou a ser restaurada em janeiro. Fabricada pela Amarican Locomotive Company, dos Estados Unidos, o modelo elétrico RSD- 8 CC, de três eixos, chegou ao Brasil na década de 50 e operou de 1958 a 1968 na Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Depois, ela foi comprada pela Mogiana, onde ficou até 1971. Depois de virar Ferrovia Paulista (Fepasa), o trem parou de transportar passageiros e passou a fazer apenas movimentação de cargas. “Eça ficou na ativa até 2013, só fazendo manobra da carga. Estava fraca já. Depois parou de vez”.

O trabalho de restauro custou R$ 200 mil, com a ajuda de fornecedores e descontos em peças. “Se não fosse isso, passaria dos R$ 200 mil, com certeza”. Foi feita uma revisão nos motores e na tração, a parte elétrica foi refeita e o estofado trocado. “Resgatamos também a pintura original, da Companhia Paulista. Ela estava vermelha mas voltou a ser azul e amarela”. A composição ajudará a Maria Fumaça a fazer o passeio até Jaguariúna em dias de chuva ou quando houver lotação de passageiros. “Ela pode chegar a até 60 km/h, mas aqui ela vai andar no máximo a 25 km/h. É o nosso padrão”.

Agora a associação almeja uma nova locomotiva a diesel da GM, que tem pouquíssimos exemplares no Brasil. “Vamos aos poucos”, completou Gazetta.

As locomotivas a diesel ou locomotivas híbrida a diesel, geralmente puxaam vagões de passageiros e combinam um motor a diesel e elétrico, com o objectivo de poupar energia. É mais fácil alterar a velocidade num motor elétrico do que em um mecânico.

Obras

A Prefeitura de Campinas anunciou em julho vai retomar as obras de extensão da Maria Fumaça no trecho de Campinas - entre a Estação Anhumas e a Praça Arautos da Paz – até dezembro. O projeto tem um custo estimado em R$ 5 milhões. O município já garantiu um crédito de R$ 2 milhões do Ministério do Turismo e o restante será financiado pela Administração através do Fundo Municipal de Apoio ao Turismo (Fatur). De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Social e Turismo, atualmente, a extensão do trem turístico está em fase de contratação do projeto executivo.

A ampliação do trajeto em dois quilômetros foi anunciada no governo Hélio e deveria ter sido entregue em 2011. A obra seria viabilizada através de convênio da Prefeitura com a Petrobras. Naquela época, o valor estimado da obra era de R$ 3,3 milhões, sendo R$ 1,5 milhão da Petrobras, R$ 1,5 milhão do Ministério do Turismo e R$ 370 mil da Prefeitura. Porém, erros no projeto paralisaram a obra e o contrato com a empresa responsável pela construção foi interrompido. O projeto foi refeito pela atual administração com a promessa de retomada das obras em junho de 2014.