Publicado 04 de Setembro de 2015 - 17h10

Por Jaqueline Harumi Ishikawa

Jaqueline Harumi

Da Agência Anhanguera

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Em menos de dez dias duas famílias foram vítimas de assalto através da colocação de obstáculos na pista para obrigar a parada do veículo em rodovias de Campinas. Em ambos os assaltos, os criminosos estavam a pé, escondidos à margem da pista para a abordagem imediata.

A ação mais recente aconteceu anteontem à noite no acesso da Rodovia dos Bandeirantes para a Rodovia Adalberto Panzan, na região do Cidade Satélite Íris, com um casal de funcionários públicos estaduais e a filha de 11 anos. A família reside na Capital e seguia para a região de Mococa, na divisa com o Sul de Minas, visitar familiares. Já a primeira ocorrência foi registrada no Km 66 da Santos Dumont, na região do Jardim Colúmbia, na madrugada do último dia 25. Um casal de idosos de Sorocaba seguia para o velório de um familiar, em Campinas.

No ataque desta quinta-feira, a abordagem aconteceu por volta das 20h30. O funcionário público, de 53 anos, era quem conduzia o carro, com a mulher ao lado e a filha deitada no banco traseiro dormindo. O motorista contou à reportagem que atropelou alguma coisa que não conseguiu identificar e de imediato parou, momento em que surgiram pelo menos três desconhecidos do matagal, sendo dois com arma de fogo. “Não consegui ver o que era. Fez um barulhão no carro e encostei. Não deu tempo de abrir a porta”, relatou a vítima, que disse ter parado exatamente sob o viaduto no trecho. Segundo o condutor, que nunca havia passado por abordagem criminosa, a ação foi rápida, mas causou pânico. “Minha mulher perdeu a fala e desmaiou logo depois. Hoje [ontem] ela está de cama numa viagem que era para a gente relaxar”, lamentou. De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 4º Distrito Policial, foram levados cartões bancários, documentos, um celular, três relógios de pulso, uma aliança, três anéis de ouro, R$ 420 e dois dólares.

Na ação registrada em agosto, as vítimas, um aposentado de 68 anos e uma dona de casa de 70 anos, chegaram a ser mantidas reféns por cerca de duas horas em seu próprio carro, mesmo depois de o pneu ter furado com uma viga de concreto na pista, que foi a armadilha de dois criminosos. A dupla saiu armada de um barranco e seguiu com as vítimas até um matagal nas margens da Rodovia Miguel Melhado de Campos, onde o pneu foi trocado. O casal foi deixado em um eucaliptal numa estrada de terra, sentido Vinhedo, só com a roupa do corpo, e somente uma hora depois conseguiu ajuda de um caminhoneiro, após caminhar cerca de 5 km.

A Polícia Rodoviária foi procurada ontem à tarde para comentar os casos, mas até as 17h ninguém havia se pronunciado. No ano passado, um crime conhecido nas rodovias que cortam Campinas foi o ataque com pedrada. Foram registrados 24 casos em 2014, sendo que a Rodovia dos Bandeirantes liderou o registro de ocorrências, com 18 ataques, sendo que 13 tiveram roubos consumados. O trecho mais perigoso apontado na época é entre os quilômetros 88 e 97, onde está o trecho em que a família da Capital foi atacada anteontem. Na Rodovia Dom Pedro I, os ataques eram na altura do Jardim São Marcos. Há três anos, três pessoas de uma mesma família morreram após acidente com uma pedra no meio da pista na Santos Dumont, na época a rodovia que mais registrava esse tipo de crime. O veículo ficou atravessado na pista e foi atingido por um ônibus.

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Jaqueline Harumi Ishikawa