Publicado 05 de Setembro de 2015 - 10h50

Colunista de Fórmula 1 - Julianne Cesaroli

Cedoc/RAC

Colunista de Fórmula 1 - Julianne Cesaroli

Os 63 cortes encontrados pela Pirelli nos pneus usados no GP da Bélgica — quantia enormemente maior aos 1,2 em média de até então neste ano — são um indício forte de que o que aconteceu em Spa levou seu produto a ser testado de maneiras que não havia sido até então — e de uma forma cuja probabilidade de se repetir é mínima. Isso é um fato. Mas também é uma maneira otimista de olhar as coisas.

Por mais que as condições tenham sido extremas, com vários acidentes ocorrendo durante o final de semana, sem a chuva tradicional de Spa para limpar o circuito, com os pilotos abusando dos limites de pista e devido à alta carga à qual os pneus são submetidos no traçado, nada muda o fato de que cerca de 7% dos pneus usados apresentaram problemas.

A própria Pirelli reconhece que são cinco os circuitos mais críticos para os pneus, devido às características ou do traçado, ou mesmo do clima. Malásia, Espanha, Spa, Suzuka e Silverstone. Pelo menos Spa e Suzuka também estão entre os mais perigosos do campeonato, por uma combinação de alta velocidade e pouca área de escape. E sejam quais forem as condições, pneus não devem estar sujeitos a falhas especialmente em lugares como estes.

É claro que a situação dos italianos é complicada. É assim desde o início, quando assinaram um contrato para fazer um pneu muito pior do que poderiam a fim de atender à demanda de provocar duas a três trocas por GP. Quando o fizeram, sabiam que os testes seriam limitados e, por mais que seja justo pleitearem por uma melhora neste sentido, não podem agir como se as regras tivessem sido mudadas durante o jogo.

Fazer um pneu propositadamente ruim e tendo poucos testes é um desafio e tanto, ainda mais se lembrarmos do sem-número de fatores envolvidos, que vão desde as diferentes condições climáticas enfrentadas ao longo de uma temporada até os diversos tipos de traçado, asfalto e a contínua melhora dos carros. Entre o primeiro ano da Pirelli (2011) e agora, por exemplo, o tempo da pole na Bélgica caiu em 1s1.

Porém, não foram um ou dois, foram 63 pneus. E sejam quais forem as "condições excepcionais" que justifiquem o número alarmante, elas aconteceram, e poderiam tranquilamente se repetir mês que vem no Japão, por exemplo. Ao invés de entregar ao acaso, a saída para o impasse é que todos, FIA, Pirelli e equipe, assumam sua parcela de responsabilidade — porque obviamente não se trata de um problema do produto final, mas sim do show que a F-1 se propõe a ter e as condições que ela cria para que ele aconteça.