Publicado 10 de Setembro de 2015 - 23h28

Por Carlo Carcani

O jornalista Carlo Carcani Filho

Ércia Dezonne/AAN

O jornalista Carlo Carcani Filho

Em junho, o meia Dempsey, do Seattle Sounders, foi expulso de campo na prorrogação de um jogo pela Copa dos Estados Unidos. Seu time perdia por 2 a 1, estava com um jogador a menos e teve um atleta expulso. Com a eliminação iminente, Dempsey perdeu a cabeça, jogou o caderninho de anotações do árbitro no chão e em seguida o rasgou. Foi expulso de campo. Dempsey já jogou na Europa e é uma das estrelas da MLS.

Isso não impediu que o comitê disciplinar da liga se reunisse em 48 horas e decretasse sua suspensão por três partidas. Notem que ele perdeu a cabeça, mas não agrediu o árbitro. Apenas o desrespeitou. Sua punição foi determinada antes mesmo do jogo seguinte do time, como deve ser.

Na final do Campeonato Paulista, no início de maio, o atacante Dudu, do Palmeiras, foi expulso de campo. Descontrolado, Dudu deu um soco nas costas do árbitro e o chamou de “safado, ladrão, mau caráter, sem vergonha e fdp”.

Dudu foi a julgamento 15 dias depois da expulsão (ou 360 horas, para ficar mais clara a comparação com as 48 horas do caso Dempsey). A pena pela agressão ao árbitro foi de 180 dias, como prevê a legislação esportiva para casos como esse.

Dudu deveria cumprir a pena imediatamente, mas o Palmeiras conseguiu um “efeito suspensivo”. Ele continuou jogando até um segundo julgamento, no dia 20 de julho, realizado 1.872 horas depois da expulsão. Dudu pegou 180 dias de suspensão de novo.

O jogador finalmente começou a pagar por seu ato impensado? Ainda não. O Palmeiras conseguiu um novo efeito suspensivo e um terceiro julgamento foi marcado para o dia 10 de setembro.

Mas eis que, 48 horas antes (finalmente os brasileiros foram mais ágeis do que os americanos) do terceiro julgamento, Palmeiras e STJD chegaram a um “acordo” para reduzir a pena de Dudu de 180 dias para seis jogos.

Ao invés de seis meses sem jogar, como determina a legislação em casos de agressão, terá que se ausentar dos gramados por 540 minutos.

Outro caso, digamos, curioso, foi o de Emerson Sheik. Durante entrevista no intervalo de um jogo do Flamengo na Copa do Brasil, ele ofendeu o juiz repetindo três vezes o mesmo palavrão.

Julgado, pegou a pena mínima, de apenas um jogo de suspensão. O Flamengo, adivinhem, conseguiu um efeito suspensivo.

Já em um jogo do Atlético-MG no Brasileiro, o lateral Marcos Rocha reclamou do árbitro com as seguintes palavras, reproduzidas pelo árbitro na súmula: “Pô, foi falta. Pô, foi falta.” Foi expulso, deixou seu time com um a menos durante 45 minutos e ainda ficou fora de mais um jogo. Ainda terá que ser julgado e vai saber se não receberá outra punição. Mesmo sem ter ofendido o árbitro, já teve uma punição maior do que a de Emerson.

Definitivamente, o futebol brasileiro não precisa jogar com a Alemanha para passar vergonha. Os tribunais de justiça desportiva, sozinhos, são capazes de causar estragos na credibilidade de nossos campeonatos. Infelizmente, casos assim não são exceções.

Escrito por:

Carlo Carcani