Publicado 10 de Setembro de 2015 - 5h30

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) reduziu ontem a nota de crédito do Brasil de “BB+” para “BBB-“ com perspectiva negativa - o que significa que há chance de nova revisão para baixo no futuro. Com a redução, o Brasil perde o grau de investimento conferido a países considerados bons pagadores e seguros para investir. Essa classificação é indispensável para grandes fundos de pensão em todo o mundo, que só podem colocar dinheiro de seus investidores em países ou empresas que possuam o grau de investimento. Na prática, portanto, a perda dessa classificação significará menos dinheiro entrando no Brasil para tocar projetos produtivos - o chamado “dinheiro bom”.A S&P estima que a contração do econômica do Brasil seja “mais profunda e longa” e que o País enfrente dois anos consecutivos de retração do PIB. Para 2015, a agência projeta recuo de 2,5% e, em 2016, outro 0,5%. A agência acredita que o País somente voltará a crescer, e muito modestamente, em 2017.A avaliação está no comunicado em que foi anunciada a retirada do grau de investimento do Brasil. “Acreditamos que o perfil de crédito do Brasil enfraqueceu ainda mais desde 28 de julho, quando revisamos a perspectiva do País para negativa. Naquele momento, sinalizamos riscos maiores de execução para as mudanças políticas corretivas já em andamento, resultantes principalmente das dinâmicas fluidas no Congresso associadas ao alastramento dos efeitos das investigações sobre corrupção na estatal de energia Petrobras. Agora vemos menos convicção, especialmente dentro do gabinete da presidente, sobre a política fiscal”, diz o comunicado.Orçamento

Para a agência, “a proposta de Orçamento para 2016 apresentada em 31 de agosto incorporou mais uma revisão das metas fiscais do governo em um período extremamente curto de tempo. O Orçamento proposto se baseia em um déficit primário de 0,3% do PIB, ao invés da meta revisada anteriormente de superávit de 0,7% do PIB que havia sido anunciada em julho. Essa mudança reflete divergências internas sobre a composição e a magnitude das medidas necessárias para corrigir a derrapagem nas finanças públicas”.O relatório também diz que “sem um desempenho inesperadamente melhor, a meta fiscal proposta no Orçamento geraria três anos consecutivos de déficits fiscais primários e uma elevação contínua da dívida líquida geral do governo”.A nota diz ainda que “temos agora a expectativa de que o déficit geral do governo suba para uma média de 8% do PIB em 2015 e 2016, antes de declinar para 5,9% em 2017, contra os 6,1% de 2014. Não temos a expectativa de um superávit primário em 2015 ou em 2016”. (Da Agência Estado)

Melhora só virá após fim das incertezas políticas

A agência de risco disse ainda que as perspectivas de crescimento para o Brasil são “inferiores às de países em um estágio semelhante de desenvolvimento”, apesar dos esforços do governo com o ajuste fiscal e a aproximação dos setores produtivos. “Nós não vemos que estas medidas tenham melhorado o sentimento empresarial. Parece agora que o Brasil está mais longe de uma mudança para um crescimento positivo até que diversas incertezas políticas sejam resolvidas”, diz. Desta forma, S&P espera que a vulnerabilidade externa do Brasil aumente nos próximos anos e que o investimento estrangeiro direto seja incapaz de cobrir integralmente o déficit em conta corrente do Brasil. (Agência Estado)