Publicado 09 de Setembro de 2015 - 5h30

O dólar comercial operou em queda ontem, após o anúncio de aumento da intervenção do Banco Central (BC) no mercado de câmbio. Na última sexta-feira (4), após o fechamento do mercado, o BC anunciou que faria um leilão para venda de até US$ 3 bilhões das reservas internacionais, com o compromisso de comprar novamente os dólares em novembro. Com mais dólares no mercado, o BC tenta suavizar a alta da moeda.

Às 13h29, o dólar estava cotado a R$ 3,8065, com queda de 1,35%. Na mínima do dia, às 9h40, a cotação ficou em R$ 3,7825.

Na última sexta-feira, o dólar fechou cotado a R$ 3,8605, com alta de 2,68%, a cotação é a mais alta desde outubro de 2002. O dólar passou por trajetória ascendente, reagindo a incertezas políticas e econômicas e à crise chinesa.

Essa operação do BC, chamada no mercado de leilão de linha, não era feita desde março. Naquele mês, o banco anunciou um leilão de rolagem (renovação de vencimento), mas além da renovar, vendeu US$ 200 milhões. A última vez que o BC fez leilão de linha, sem rolagem, foi em dezembro de 2014, quando vendeu US$ 2 bilhões.

Ao vender dólares por meio dos leilões de linha, o Banco Central retira dólares das reservas internacionais, mas apenas por um período. O dinheiro volta às reservas com a compra feita pelo BC na data estabelecida no leilão.

O BC também tem usado outra ferramenta para intervir no mercado de câmbio, os swaps cambiais. Nesse caso, a intervenção não compromete as reservas internacionais. O BC oferta contratos de troca de rendimento no mercado futuro. Apesar de ser em reais, as operações são atreladas à variação do dólar. No swap cambial, a autoridade monetária aposta que o dólar subirá mais que a taxa DI (taxa de depósito interbancário, ou seja, a cobrada em transações entre bancos).

Os investidores apostam o contrário. No fim dos contratos, ocorre uma troca de rendimentos (swap) entre as duas partes. Quando o dólar sobe, o BC tem prejuízo proporcional ao número de contratos em vigor. Quando a cotação cai, os investidores deixam de lucrar. Nos meses em que o dólar sobe, o BC tem prejuízo com as operações de swap. Quando a cotação cai, o órgão tem lucro. (Agência Brasil)