Publicado 08 de Setembro de 2015 - 5h30

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, teve uma agenda extensa ontem em Madri, onde se encontrou com autoridades do governo espanhol e também com empresários e investidores. A todos, o ministro afirmou que a agenda de concessões em infraestrutura do Brasil é um dos elementos que vai colaborar para o processo de recuperação da economia do País, “que, aliás, já está em curso”, disse.“Em infraestrutura, é sempre bom ter companhias brasileiras e estrangeiras, pois agregam tecnologia e governança, uma demanda das sociedades: um governo mais transparente e eficiente”, disse ele para um grupo de 150 investidores e empresários. Na avaliação de Levy, o plano de logística no Brasil “vai muito bem” e “praticamente a cada semana” é feita uma autorização para empresas operarem terminais portuários privados. “E há um enorme interesse nisso. Estamos reiniciando a concessão de operação em áreas de portos públicos”.Levy também destacou a continuidade do processo de concessão de mais quatro aeroportos, entre eles o de Fortaleza. No caso de rodovias, o foco principal foi a duplicação de estradas que têm grande demanda. “Ao iniciar o novo round de concessões rodoviárias de baixo risco, as taxas de retorno foram muito bem recebidas”, apontou, destacando que nesses casos houve “flexibilizações” de regras junto às empresas brasileiras e estrangeiras, como exigência de capital. “A infraestrutura é condição fundamental para o Brasil crescer”, afirmou Levy, ressaltando que, se mudaram os termos de troca comerciais para o País, é necessário se adaptar à realidade internacional e buscar o aumento da competitividade.“Temos um tremendo potencial em logística”, apontou o ministro, destacando o que o avanço de projetos de infraestrutura, aliados à “agenda de cooperação” com o Congresso e ao ajuste fiscal já estão viabilizando uma melhora significativa das perspectivas econômicas do Brasil.Questão de meses

Para o ministro, a recuperação da economia brasileira “é uma questão de meses”. Levy afirmou ter muita confiança na trajetória de retomada da demanda agregada no Brasil, inclusive porque tem o apoio da presidente Dilma Rousseff. “A presidente teve a coragem de tomar as medidas necessárias”. Levy ressaltou que o País tem uma estratégia baseada no fortalecimento dos pilares macroeconômicos, sobretudo o ajuste fiscal, o combate frontal à inflação e o câmbio flutuante. Ele também destacou que há uma agenda “propositiva” de colaboração do Congresso Nacional para viabilizar o processo de evolução da qualidade das contas públicas. “É preciso ter muita humildade para entrar em novos gastos. O foco agora é completar os compromissos já assumidos dentro da nossa capacidade fiscal”, afirmou.Levy afirmou que o governo tomou medidas, de políticas fiscal, monetária e cambial - e com isso a economia “começa a se reequilibrar”. “Agora o importante é ter paciência, pois depois que dos custos do ajuste, é preciso perseverar para colher os benefícios”. Em relação à gestão das contas públicas, como o Poder Executivo adotou medidas anticíclicas que foram bem sucedidas para estimular a demanda agregada logo depois da recessão de 2008, com o tempo, num novo cenário internacional, essa ações não poderiam ser mantidas. “A política anticíclica depois de um certo tempo começa a ter um preço muito alto”, destacou. “No nosso caso, o custo fiscal mostrou-se crescente e não seria conveniente continuar. Então, tivemos um realinhamento fiscal e de preços bastante importante que facilitou a economia começar a se ajustar”. Segundo o ministro, outra parte importante desse “realinhamento” da economia veio do câmbio, que gerou mais estímulos para o setor externo, especialmente com registro de saldo positivo das exportações sobre as importações. “O nosso balanço de pagamentos tinha um déficit crescente, que começa a diminuir. A balança comercial tem superávit e a contribuição do setor externo para o crescimento do PIB pela primeira vez, desde 2005, foi positiva em 12 meses, terminados no segundo trimestre, cuja contribuição foi de praticamente de 1%”. O ministro ressaltou ainda a correção de preços administrados, o que fez a inflação subir - “mas, com a ação muito consistente do Banco Central para atacar a inflação, já se começa a ver a convergência de expectativas com relação às metas perseguidas”.Os ouvinte, aparentemente, gostaram do discurso de Levy. para o ex-presidente do conselho de administração do Santander, Guillermo de la Dehesa, o diálogo foi extremamente positivo. “Estamos muito confiantes no Brasil. Agora há uma estratégia clara de política macroeconômica, que é muito boa e tem o apoio da presidente. Há também um trabalho muito importante do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini”, afirmou.Hoje, Levy cumpre agenda em Paris, onde participa de evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). (Da Agência Estado)