Publicado 10 de Setembro de 2015 - 19h05

O canal Universal estreia a segunda temporada do reality show Cinelab no dia 16, às 20h. A atração acompanha o trabalho de três cineastas e técnicos em efeitos especiais: Kapel Furman, Armando Fonseca e Raphael Borghi, que buscam soluções para filmes de baixo orçamento, criando cenas explosivas e perigosas, em um curto espaço de tempo. É o primeiro programa nacional do canal, realizado pela produtora Boutique Filmes. Esta temporada terá 13 episódios.Novas cenas de tiroteios, perseguições e ataques de zumbis serão realizadas em estúdio, dessa vez no antigo set da Vera Cruz, a antológica companhia cinematográfica que funcionou entre 1949 e 1954, em São Bernardo do Campo, e que será revitalizado depois dessa temporada do Cinelab.Furman dirigiu S.W. Metaxu: Seq. 01 (2013), premiado em Barcelona no festival de cinema Fantástico de Sitges. Borghi é dublê e colorista de filmes e Fonseca trabalha com direção de videoclipes. Os três, juntos, atualmente finalizam um longa povoado de zumbis, intitulado Desalmados.“A ideia do Cinelab surgiu em 2012. A produtora Boutique entrou em contato comigo para conversar a respeito de um programa sobre efeitos especiais. Apresentei então para eles o Raphael e o Armando, com quem eu já trabalhava há bastante tempo, fazendo nossos filmes independentes”, conta Kapel Furman.“O Cinelab reflete o tipo de filmes que fazemos juntos há anos, só que agora tem uma equipe de reality show em volta, registrando como executamos cada roteiro”, explica Armando Fonseca.O cineasta diz que, para a segunda temporada, “ousou bastante e tentou jogar para cima todo tipo de ideia maluca que poderíamos incluir num filme. Isso tanto estrutural, como num filme que nós temos um avião dando um rasante e metralhando o chão no qual o Raphael corre entre as bombas, quanto narrativo, em termos de trabalhar a performance dos atores, como em um filme no qual temos um canibal e sua vítima que depois volta para se vingar.”O diretor faz o cálculo do orçamento de um filme brasileiro, em torno de R$ 5 milhões, afirmando que um blockbuster norte-americano custa centenas de milhões de dólares. “De qualquer forma, o público brasileiro está gostando de se entreter com filmes nacionais que dialogam com a cultura do País Com a segunda temporada chegando às TVs, o espectador pode conferir que entregamos os efeitos mais malucos que pudemos inventar.”A demanda dos filmes nacionais por esse trabalho feito pelos rapazes do Cinelab é bastante restrita no cinema brasileiro, mas a produção alternativa tem utilizado cada vez mais esses recursos. “Efeito especial, ou melhor, cenas de cinema com efeitos especiais são coisas relativamente novas”, diz Kurman. “Ironicamente, o pessoal do cinema independente, do gênero fantástico, underground, é quem mais usava, e usa, efeitos especiais práticos.”Raphael Borghi completa: “Infelizmente, não temos uma grande variedade de produções acontecendo no Brasil para que todos os gêneros sejam explorados, e a demanda de trabalho do técnico de efeito cresça em seus diversos setores”.Mas os caras persistem e estão realizando um ótimo trabalho no Cinelab. Os novos episódios exploram a urbanidade paulista como pano de fundo. Diversas locações externas foram feitas em locais como a Vila Operária Maria Zélia, o Beco dos Aflitos no bairro da Liberdade e o cemitério da Vila Alpina. Também foram gravadas cenas no parque Cidade das Crianças, em São Bernardo do Campo.No primeiro episódio, O Terrorista sem Noção e a Refém Voadora, Fonseca, Borghi e Furman produzem uma bomba nuclear usando somente explosivos e, ainda, uma mulher petrificada feita de espuma. O trio afirma estar satisfeito com a audiência. “Existe um grande público interessado em efeitos especiais e nos gêneros que trabalhamos nos curtas do programa e do Brasil inteiro”, diz, entusiasmado, Raphael Borghi. Para Armando Fonseca, “quem conheceu o que fazemos através da TV agora tem se interessado por filmes mais ousados que contenham ação e efeitos especiais e acabam encontrando doses disso em nossos filmes.” (Da Agência Estado)