Publicado 05 de Setembro de 2015 - 19h05

Mais elétrico, menos acústico e mantendo o humor com uma ironia peculiar para tratar de assuntos sobre a humanidade, a banda Mustache & Os Apaches, que marca forte presença na cena independente atual, lança o segundo disco, Time is Monkey. Neste álbum, a maioria das 12 faixas ganhou sonoridade visceral com a introdução de guitarra, bateria e washboard, mas ainda permanece o tom acústico dado pelo bandolim e a percussão. Dar ênfase ao elétrico foi uma opção do quinteto gaúcho, radicado em São Paulo, para trazer novidades ao público com relação ao primeiro disco, que leva o nome da banda, de 2013. “Não abandonamos o formato acústico. Esse é apenas um pouco diferente do primeiro disco porque assumimos a guitarra, a bateria. Acredito que os CDs são como marcos da carreira, que registram a diversidade, mas não deixamos de fazer o que tínhamos feito antes. O banjo, o bandolim continuam”, diz Lumineiro (voz, bateria e washboard).O cantor conta que não houve interrupção de um trabalho para o outro, tanto que a música Mambo Jambo, faixa mais dançante, nasceu logo após o disco de estreia. “O lançamento do disco é o ponto inicial de um novo ciclo. Assim que terminamos o primeiro CD, surgiu Mambo Jambo, inclusive já tocamos ela nos shows. As demais foram feitas em dezembro, quando começamos uma produção intensa. Voltamos de férias, em janeiro, com 25 músicas. Escolhemos as 12, mas temos guardado o conteúdo para o próximo trabalho”, revela. As letras de Time is Monkey abordam aspectos controversos da vida contemporânea, como o individualismo, consumismo e o deslumbre do showbizz. Em comum, a linguagem divertida, a ironia e a melodia influenciada pela psicodelia e o rock’n’roll. “É o que nós gostamos. Somos irreverentes e bem-humorados por natureza, mesmo falando de coisas sérias. Em Orangotango, por exemplo, falamos sobre o trato do humano com os animais e o meio ambiente em geral, mas com bom humor. O Axel (Flag, voz, viola e percussão), autor da letra, inclusive é vegetariano.”Além dos já citados Alex e Lunimeiro, integram a banda Pedro Pastoriz (voz, violão, banjo), Tomas Oliveira (voz e contrabaixo) e Jack Rubens (guitarra e bandolim). Todos gaúchos que migraram para a Capital paulista. “A gente era amigo em Porto Alegra, mas cada um veio por uma razão pessoal. Chegamos a morar juntos no início. O bom é que temos um entrosamento bacana, só que cada um com sua estilo. Eu sou malabarista, ainda trabalho com circo, o Axel é artista plástico, o outro tiveram outras bandas. Enfim, carregamos as bagagens adquiridas”, afirma Lumineiro. O resultado dessa junção vem sido bem aceito na cena independente, onde atuam desde o início, quando emplacaram o rótulo de “banda de rua”, o que gostam, apesar de querer ampliá-lo — como há de se observar no novo disco. “A gente brigou para ser uma banda de rua, ter o direito de nos expressar livremente, mas não queremos restrição. Somos múltiplos e não estamos restritos a espaço algum”, finaliza.Time is Monkey foi gravado no Estúdio Canoa por Guilherme Jesus Toledo, do selo Risco, a cujo cast a banda pertence, e foi realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo por meio do Programa de Ação Cultural 2014 (Proac).