Publicado 11 de Setembro de 2015 - 5h30

Os 14 anos do assassinato do prefeito de Campinas Antônio da Costa Santos, o Toninho, foi marcado ontem por um ato no Salão Vermelho da Prefeitura, no qual o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos informou que vai retomar a luta da família para que a investigação do caso seja federalizada. O conselho pretende também se unir às suas instâncias estadual e federal e recorrer à Organização dos Estados Americanos (OEA) para que a Corte Internacional cobre respostas do Estado Brasileiro para o esclarecimento do caso. O ato contou com a presença da viúva de Toninho, Roseana Moraes Garcia.

Paulo Mariante, presidente do Conselho Municipal de Direitos Humanos, lembrou que já existem encaminhamentos anteriores feitos pela família e pelo movimento “Quem matou Toninho” no sentido de federalizar as investigações. “Até hoje as respostas foram negativas ou insuficientes. A ideia agora é o conselho reforçar isso, retomar essa agenda, dialogar com o conselho Nacional de Direitos Humanos, que não existia naquela época.” Segundo Mariante, o conselho atual tem mais prerrogativa e conta com um procurador que atua junto ao procurador-geral da República. “O procurador-geral é quem tem a grande prerrogativa de encaminhar o pedido para o Superior Tribunal de Justiça, que tem o poder de dizer se um crime é ou não federal.”

A família de Toninho já esteve em contato com a OEA com o objetivo de denunciar a omissão do Estado Brasileiro no crime. De acordo com o advogado William Ceschi Filho, esse contato começou em 2014. “Nós já começamos colher a documentação. Temos denúncia elaborada, já fizemos consulta à OEA. Já conversamos com a ONG Conectas, que auxiliou a gente nesse primeiro momento. Agora, via Conselho de Direitos Humanos, nós vamos finalizar esse trabalho.”

Roseana afirmou que não pretende desistir da luta pelo esclarecimento do caso, seja via federalização ou internacionalização. “Mudou agora o procurador-geral da República. Acho que o País hoje vive uma conjuntura que merecia que o caso fosse federalizado.” O prefeito foi assassinado a tiros, quando seguia de carro para casa. O traficante e sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, e seus comparsas chegaram a ser acusados pelo crime, mas a Justiça determinou que a Polícia Civil retomasse as investigações em 2011. O delegado Rui Pegolo afirmou que não há nenhum fato novo que leve ao esclarecimento. Uma missa de 14 anos da morte será realizada às 19h de domingo na Igreja Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Proença.