Publicado 11 de Setembro de 2015 - 5h30

Cerca de 30 imóveis, inclusive um prédio residencial, em Campinas, ficaram às escuras desde as 18h da última terça-feira, quando ocorreu o forte temporal que derrubou árvores, destelhou barracões e deixou milhares de consumidores sem energia elétrica na região, até por volta das 15h de ontem. Nas 45 horas que ficaram sem energia, moradores e comerciantes de um quarteirão da Avenida José Pancetti, com Rua Egydio Bulgarelli, na Vila Proost Souza, tiveram que recorrer a velas para iluminar a casa, ao banho de canequinha e a um quiosque de lanches localizado em uma praça do outro lado da calçada para carregar a bateria do celular. Além disso, a maioria perdeu carnes, frios e congelados. Segundo a CPFL Paulista, até as 16h de ontem, ao menos 8,9 mil consumidores na região, sendo 2 mil em Campinas, continuavam sem energia elétrica.

Na Avenida José Pancetti, um empório de produtos naturais teve uma perda de cerca de R$ 1,5 mil em sorvetes, sucos e tortas. Além disso, o local deixou de atender vários clientes pois a máquina de cartão não funciona em energia elétrica. “Só vendas à vista, e o movimento caiu”, reclamou uma vendedora de 19 anos. “Cansei de ligar na CPFL. Agora, o 0800 da companhia nem atende mais, só musiquinha”, completou.

Uma mecânica na mesma via está com carros “presos” no elevador. Um Citröen C3 está pronto desde anteontem, mas a entrega não pode ser feita porque o veículo está no elevador. Um outro carro não pode ser consertado porque o equipamento parou na metade e os mecânicos não conseguem mexer na parte de baixo. “Estou em falta com os meus clientes. Tinha que entregar um dos carros amanhã (hoje) e ainda nem mexi nele. Sem contar que não pude pegar mais carros porque não tenho como trabalhar sem energia elétrica”, disse o mecânico Murilo Caumo da Fonseca, de 26 anos.

O técnico em eletrodoméstica Alexandre Smidi, de 44 anos, está há três dias sem trabalhar. Ele depende do telefone e da energia para fazer os contatos com os clientes. “Trabalho em casa e como minha casa ficou ilhada não consigo pegar serviços”, comentou.

Com a forte ventania da terça-feira uma árvore localizada no lado oposto da via foi derrubada. Com o peso, ela puxou a fiação e o poste por pouco caiu. A distribuição de energia elétrica foi restabelecida na madrugada da quarta-feira para os demais moradores do bairro, mas as casas e comércios do outro lado da via ficaram na escuridão. “Ligamos todo o tempo para a CPFL e em todas as ligações eram feitas promessas de retorno, mas até agora nada. Essa situação não pode se estender mais”, desabafou Smidi.

Para dar uma força aos vizinhos, o casal de comerciantes José Benedito de Moraes, de 59 anos, e Regina Lopes, de 54 anos, que tem um quiosque de lanches na praça que corta a Rua Egydio Bulgarelli, deixou o pessoal carregar a bateria do celular no local. Anteontem, ao menos 10 vizinhos levaram os aparelhos. “Temos cinco tomadas e teve gente que precisou esperar um pouco. Alguns deixavam carregar por uns 15 minutos e pegavam o celular”, disse Moraes. “A gente tem que ajudar”, frisou Regina.

CPFL

Em nota, A CPFL Paulista informou que tem ciência dos casos de falta de energia e o trabalho de recuperação do sistema elétrico seguirá, com todas as equipes mobilizadas até o completo restabelecimento do serviço. Em alguns locais de difícil acesso, como redes rurais, onde ocorreram problemas com quedas de árvores ou alagamento o atendimento está encontrando mais dificuldades. A previsão é que grande parte desses clientes seja restabelecida o mais breve possível.

Limpeza total da cidade deve levar mais três dias

Até o fim da tarde de ontem a força-tarefa da Prefeitura de Campinas havia removido 77 das cerca de 130 árvores que caíram nas ruas e praças durante o temporal de terça-feira, com ventos de até 98km/h. Também foram retiradas cerca de 500 toneladas de resíduos, entre galhos e troncos de árvores, entulho, sujeiras diversas e outros materiais trazidos por enxurradas, elevando a quantidade para 1.533 toneladas removidas nos dois dias de rescaldo.

A Prefeitura mobilizou 150 trabalhadores da Secretaria de Serviços Públicos, além de toda a estrutura das administrações regionais (ARs) e subprefeituras para a limpeza e organização da cidade. Estão sendo utilizados 22 caminhões.

Na Praça Roma Palozzi Brasio, na Vila Aurocan, o galho de uma árvore ainda continuava no local. Parte das galhos ocupava um pequeno trecho da rua, mas, segundo moradores, não atrapalhava o trânsito. “Dá para transitar e a gente tem que procurar a passar do outro lado da calçada”, comentou um morador.

Na Rua Moysés Lucarelli, no bairro Cidade Universitária, galhos de uma árvore ocupavam maior parte do local, que foi interditado por agentes de mobilidade da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). A Secretaria de Serviços Públicos calcula que leve mais três dias para ser concluída toda a limpeza na cidade. Segundo a Defesa Civil, em um período de 24h da terça-feira foram registrados 85 milímetros de chuvas, volume superior aos 64,4 milímetros esperados para todo o mês de setembro. A precipitação mais importante, ocorrida no final da tarde de terça, durou cerca de 20 minutos e registrou, às 16h40, ventos de até 98km/h.

Além de todo aparato da Secretaria de Serviços Públicos, estão mobilizadas cinco equipes da Defesa Civil, uma para cada região da cidade. O trabalho desses profissionais consiste na vistoria de áreas atingidas por alagamentos e outras ocorrências e no acompanhamento meteorológico. Também estão envolvidas equipes das Secretarias de Urbanismo e de Cidadania, Assistência e Inclusão Social. (AR/AAN)