Publicado 11 de Setembro de 2015 - 5h30

As represas que abastecem cidades da região de Campinas se recuperaram com as chuvas de segunda e terça-feiras e conseguirão garantir o abastecimento até o fim do ano desde que a população continue economizando, segundo as empresas responsáveis. Em Itu, Nova Odessa, Valinhos, Vinhedo e Santa Bárbara d’Oeste, os reservatórios estão operando próximos a 100% da capacidade, mas somente Valinhos continua mantendo o rodízio no fornecimento, porque depende ainda da conclusão da Estação de Tratamento de Água II para poder tratar toda a água que a cidade necessita. Indaiatuba também garantiu autossuficiência de água para este ano.

Os mananciais internos de Valinhos, formados por um conjunto de quatro barragens, estão cheios. A chuva de 79 milímetros, segundo o Departamento de Águas e Esgoto de Valinhos (Daev), elevou o nível de armazenamento da Represa Figueiras de 86% antes da chuva para 99%, a Moinho Velho saiu de 67% para 100%, enquanto a Santa de Cuiabanos saiu de 70% para 97% e o centenário reservatório de João Antunes dos Santos chegou a 100%, com uma vazão que saltou de 26 litros por segundo (l/s) para 147 l/s.

Itu registrou uma precipitação de 95mm — com isso o nível das barragens de captação saltou de 57% para 98% de reservação. As captações estão operando com vazão máxima e o abastecimento está normalizado em todo o município, informou a Prefeitura.

Em Indaiatuba, a chuva foi suficiente para elevar os níveis dos mananciais que abastecem a cidade. Em dois dias choveu 75,2mm, mais do que durante todo o mês de julho de 2015. A elevação do nível da barragem do Rio Capivari-Mirim garante a regularidade de abastecimento de água bruta para este ano. Mesmo prevista para ser entregue no final deste ano, já vem represando água das chuvas nos últimos meses.

Em Santa Bárbara, as três represas que garantem o abastecimento da cidade estão agora operando com plena capacidade, água que irá garantir o fornecimento à população até o final do ano, se o nível de economia continuar se mantendo. A quantidade de chuva nesses últimos dias, principalmente na região das represas, melhoraram consideravelmente os níveis dos mananciais, chegando a cerca de 95% da capacidade total de reservação.

Em Nova Odessa, as cinco represas cheias estão com 74,5% da capacidade total, chegando, segundo a Companhia de Desenvolvimento de Nova Odessa (Conden), a 1,8 mil metros cúbicos de água bruta. Na segunda-feira, antes da tempestade, estava em 71,15%, com 1,720 mil m³. Ou seja, um acréscimo de 3,4% no volume total. A situação positiva atual se deve ao desassoreamento realizado nas represas no ano passado, aumentando em cerca de 20% a capacidade de armazenamento, além da conscientização da população, com consumo menor.Em Vinhedo, a Represa 1, a mais importante da cidade, estava com nível de 3,75 metros na segunda-feira e subiu para 4,10m após a chuva. O serviço de água e esgoto não descarta a possibilidade de voltar a adotar racionamento, em áreas que estiverem comprometendo o sistema devido ao alto consumo.

Cantareira

O volume de água armazenado no Sistema Cantareira subiu ontem pelo segundo dia consecutivo, após 44 dias de estiagem e os reservatórios atingiram 15,6% da capacidade, 0,2 ponto percentual acima de quarta-feira — quando já houve elevação de 0,4 ponto —, segundo a Sabesp. O aumento, no entanto, ainda se dá na cota do chamado volume morto.

Previsão de mais temporais mobiliza as defesas civis

A aproximação de uma nova frente fria nos próximos dias volta a causar chuvas em todo o Estado, segundo boletim meteorológico divulgado ontem pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. São previstas até domingo chuvas fracas e moderadas de maneira generalizada, bem como a formação de núcleos de chuva forte acompanhados de rajadas de vento e descargas elétricas. Segundo o órgão, é “elevado o potencial para novos transtornos”.

Por causa do alto índice pluviométrico, estão em estado de atenção na região Campinas, Sumaré, Pinhalzinho, Limeira, Monte Mor, Pedreira, Amparo, Bragança Paulista e Atibaia. A classificação de estado de atenção ocorre por conta do risco de deslizamentos de terra.

A meteorologista Ana Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, afirmou que hoje há possibilidade de chuva intensa e temporal, com ventos mais fortes, em todo o Estado, sobretudo no Centro-Sul, Sudeste e Leste. A chuva pode começar já pela manhã e durar até a próxima madrugada, com concentração maior durante o dia.

Segundo Ana Ávila, não é possível determinar se a intensidade será a mesma da tempestade de segunda para terça-feira. Pela Defesa Civil, o índice daquele dia, até as 19h, foi de 85 mm, volume superior aos 64,4 milímetros esperados para todo o mês de setembro.

A Prefeitura de Campinas informou que equipes deverão prosseguir mobilizadas até a próxima segunda-feira, com possibilidade de extensão diante de novas chuvas. “A Defesa Civil de Campinas cancelou folgas e abonos dos funcionários e depois de sábado manterá o sobreaviso. Para as cidades da região também foi repassado esse boletim especial a todas as prefeituras para ter reforço”, afirmou o coordenador regional da Defesa Civil, Sidnei Furtado, que conta com 70 funcionários em Campinas, mais cerca de 80 plantonistas das secretarias de Serviços Públicos, Habitação e Cidadania, Assistência e Inclusão Social, Guarda Municipal e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Na região, as prefeituras das cidades mais afetadas com o último temporal afirmaram que estão de prontidão. Em Nova Odessa, a equipe da Defesa Civil, formada por nove servidores, pode ter reforço de funcionários da Diretoria de Serviços Urbanos e da Companhia de Desenvolvimento (Coden), inclusive maquinário, e em casos de desastres naturais as secretarias de Educação e Esportes cederão espaços nas unidades escolares e ginásios. Sumaré deixou funcionários de sobreaviso tanto da Defesa Civil quanto da Guarda Municipal, Transportes e das três administrações regionais. Além da equipe da Defesa e Desenvolvimento do Meio Ambiente, Paulínia afirma poder contar com a equipe de Obras e Serviços Públicos. Já Santa Bárbara d’Oeste disse apenas que caso necessário haverá convocação. (Jaqueline Harumi/AAN)