Publicado 11 de Setembro de 2015 - 5h30

Esta semana trouxe para Dilma Rousseff uma perspectiva sombria em seu governo, como se já não houvesse motivos suficientes para abalar a estrutura e a confiabilidade de suas ações. Ao ter a nota de crédito rebaixada pela Standard & Poor's nessa semana, abriu-se a comporta de inúmeros problemas e dificuldades a serem enfrentados. Se promover um ajuste fiscal era uma dificuldade alta diante da pressão econômica e política, agora é um objetivo que somente se concretizará a partir de uma improvável conjunção de interesses coordenada pela presidente.

Ao cair na zona de especulação internacional, o Brasil tem atestada a sua incompetência de gerir suas crises política e econômica, ao que se somam os efeitos dos escândalos de corrupção e o abalo institucional da Petrobras. A situação atual é consequência de uma política desastrosa, de gastos irresponsáveis e até de afrontamento a um status econômico que não se pode ignorar. As diretrizes que vinham sendo apontadas desde o governo de Lula indicavam que os caminhos tortos levariam a uma encruzilhada devido à insustentabilidade das metas populistas.

De nada adianta minimizar o rebaixamento, contradizendo tudo o que disse quando se atingiu a situação exatamente inversa anos atrás. Todos sabem a gravidade do momento e o custo que será pago pela sociedade.

Desde que concluído um processo eleitoral onde as mentiras e subterfúgios tentaram camuflar a verdadeira situação brasileira, podia-se vislumbrar um quadro desalentador que aos poucos foi sendo desenhado com os vários indicadores que apontavam para um período de desemprego, inflação em alta, queda da atividade produtiva, estrangulamento dos investimentos e arrecadação baixa com reflexos em todos os níveis da vida pública nacional.

O enfrentamento da crise econômica que se abateu sobre o País podia ser antecipado com providências que foram adiadas por conta de um projeto político voltado à perspectiva partidária, e não à nação brasileira. As contradições foram sendo desmascaradas e agora o governo de Dilma Rousseff chega a um entroncamento sério que pode definir o seu futuro com consequências desastrosas previsíveis. Se o abalo que se avizinhava era terrível, agora o Brasil se defrontará com a análise de investidores internacionais e o refluxo do crédito que seria indispensável para a reversão da situação que, em resumo, mostra que virar as costas para a realidade em um mundo globalizado pode não ser uma decisão inteligente nem apropriada.