Publicado 11 de Setembro de 2015 - 5h30

É de Euclides da Cunha a frase: "Estamos condenados à civilização: ou progredimos, ou desaparecemos". Hoje se poderia dizer: "ou inovamos, ou morremos". O mundo reclama criatividade para atender aos anseios de uma população que ainda cresce demais, embora fosse prudente parar de crescer.

O Brasil é um caso emblemático. Grande território, enormes reservas de minérios, água abundante, clima favorável. Tudo para se tornar uma nação influente na gestão do planeta. Mas não avança em sabedoria. Nada significa multiplicar vagas no ensino universitário, se a educação se atém a critérios quantitativos.

A educação como negócio atraiu o capital internacional. É recente a absorção de alguns grupos nacionais por enormes empresas, na verdade praticamente apátridas. Farejou-se que manter cursos é algo lucrativo. Muito mais do que exercer uma atividade produtiva ou oferecer outra espécie de serviços.

Mas a escola continua a fornecer o mesmo: aulas prelecionais, concentração de heterogeneidades no mesmo espaço, ausência completa de se contemplar os talentos individuais.

O resultado é que a mão de obra oferecida ao empreendedor não atende à sofisticação empresarial. As empresas, para sobreviver, tiveram de se adaptar e enfrentar renhida concorrência. Convivemos com a mais avançada tecnologia e os menos qualificados quadros pessoais.

O Brasil não terá futuro se continuar a manter um Estado paquidérmico, burocratizado e ineficiente. A cultura do "mais" já se esgotou e só o Brasil não percebe. Examine-se a estrutura de Estados realmente civilizados. Veja-se a Finlândia, a Suécia, a Noruega e a Dinamarca. Quantos agentes estatais ali trabalham? Quanto percebem? Qual a diferença entre o maior salário e o menor? Quais as mordomias?

Não há condições de comparação com o Brasil. Enormes estruturas carcomidas, reservadas a apaniguados, multiplicação de cargos em comissão, pleito recorrente de criação de mais cargos, mais funções, mais estruturas.

Os diagnósticos existem e não constituem segredo. Corte drástico nos gastos estatais. A começar pela publicidade. Batizada de "institucional", é propaganda pura e simples.

O exemplo é singelo, mas adequado: haveria necessidade de publicação de um boletim doméstico, para que a mulher – geralmente ela a administradora do lar – explicasse, minudentemente, o que fez com o orçamento da casa?

Assim como todos notam se uma residência está bem cuidada, todos também percebem que uma administração não funciona. Não é fácil funcionar com o número imenso de funcionários, onde aqueles idealistas que atuam com respeito e amor são envolvidos pelos burocratas, desalentados e derrotistas. Aqueles que não estudam, que não criam opções para o repensamento de seus cargos e funções, eles que, na trincheira do serviço, poderiam oferecer sugestões hábeis ao aperfeiçoamento do sistema.

Todavia, um dos bons efeitos de uma crise cruel como aquela que estamos atravessando é justamente fazer com que as coisas se movam. Quem não progredir, no sentido de se reciclar, vai perecer. E aí não adiantará lamentar, porque não haverá mais remédio.