Publicado 10 de Setembro de 2015 - 5h30

A rotina baseada em um pensamento sustentável faz do trabalho da Associação Beneficente Irmã Dulce (Abid), localizada em Indaiatuba, uma iniciativa a ser seguida. Com um bom espaço externo para servir de sala de aula, as professoras abordam diversos temas voltados ao meio ambiente e desenvolvem desde pesquisas até atividades de artesanato, sempre pensando no verde. A diferença dessa para outras iniciativas é que tudo acontece da forma mais natural possível, tanto que, depois, o resultado acaba se tornando um hábito positivo. Um simples piquenique sob a sombra generosa já é motivo para contemplar a natureza e falar sobre a sua importância, como funciona e a interferência humana nela.

Ao entender o ciclo da vida, a criança compreende de forma mais clara os porquês propostos durante as ações. Michelli Santos Lima, pedagoga, explica que, como parte do planejamento a entidade realiza oficinas de artesanato que conscientizam a criança sobre a importância da preservação do meio. Nelas são utilizados materiais recicláveis, entre eles garrafas PETs e latas, que são transformados em objetos de decoração, como vasos para horta. “Estamos diariamente fomentando a utilização desses materiais e os resultados são sempre melhores que o esperado. As crianças nos retornam sempre com a criatividade e espontaneidade que nos surpreende todos os dias. Um exemplo é quando fizemos o trabalho de transformar uma garrafa em vaso para plantação de hortaliças. A participação delas é muito legal, ficam bem animadas. E ainda tem a participação do pedagogo, que reforça a importância da reciclagem. O profissional ainda ensina uma alimentação saudável”, destaca Michelli.

A palavra preservar fica tão agregada que mesmo durante as mais simples atividades de rotina, como escovar os dentes e higienização das mãos, elas sempre estão atentas para não desperdiçar. Para os mais distraídos, sempre há um professor ou um monitor para lembrar. “Essa também é mais uma oportunidade para conscientizá-los, tentando tornar essas atitudes hábitos na vida deles”, diz a pedagoga.

Como parte do processo, replicar o aprendizado em casa é lição obrigatória e os pais ratificam e apoiam a ação. Segundo Marly Ribeiro Rodrigues, estagiária de pedagogia, é sempre importante estar conectado com os familiares. “Os pais nos trazem sempre algo que eles percebem de mudanças no cotidiano de seus filhos. Aqui fazemos um trabalho rotineiro, com intenção de melhorar as vivências das crianças para que eles melhorem suas ações em seu meio de convivência e social”, diz. “A família percebe, pois eles apontam o que não está correto em casa e dizem: “Lá na Abid aprendi que é ...”, ou diz : “A professora da Abid disse que...”, e os pais sempre nos relatam essas situações, que, às vezes, acabam deixando-os até constrangidos. E isso é muito bom, pois é o ensino e a conscientização direta sendo transmitida indiretamente”, destaca Marly.

Para complementar o programa, a sede está passando por algumas adaptações para tornar o funcionamento mais ecologicamente correto, afinal de contas, de nada adiantaria apontar o que se deve fazer se no próprio espaço não fosse feito nada. Para se tornar um exemplo aos seus alunos, a direção tomou providências simples que qualquer um pode fazer e não exige grande investimentos, mas, sim, boa vontade.

Carla Quatroqui Palazzi, captadora de recursos, conta que já foram feitas algumas mudanças na entidade, mas que sempre é possível melhorar. “A instituição tem total preocupação com o assunto, fizemos trocas de lâmpadas e, ao menor sinal de vazamento, tratamos com prioridade. Já foram instalados aquecedores solar na casa onde temos o acolhimento institucional, preocupados sempre com o meio ambiente. A Abid acredita que a mudança tem que começar em nós, primeiro dentro de casa, e aí sim podemos sair e apresentar nossos exemplos para as crianças. Ainda não temos grandes tecnologias ou algo inovador relacionado, mas fazemos o que está no nosso alcance”, diz Carla.

Projetos desenvolvidos estimulam o ‘pensar verde’

Ao olhar uma lição ou uma simples recreação voltada ao meio ambiente, fica perceptível o quanto o cuidado com o meio ambiente se incorporou às referências das crianças. A pedagoga Michelli Lima lembra que, no começo do projeto, para abordar tais temas, encontravam um certo grau de dificuldade, pois os alunos não aceitavam ou não se interessavam. “Hoje, depois de várias estratégias, ideias diferentes e interessantes sobre a forma de abordar a temáticas, eles adoram. Sabem, contribuem com o professor e ajudam a ensinar. Trazem novas ideias, como em muitas vezes que foram confeccionados cartazes e maquetes que partiram da fala da própria criança”, conta.

Essa participação espontaneamente ativa salta aos olhos e enche de orgulho a cada dia de trabalho. Carla Quatroqui Palazzi, captadora de recursos da entidade, conta que na semana passada presenciaram mais uma situação. “Estávamos conversando sobre a horta e que cada um deveria colocar água. Um deles disse que tínhamos que tomar cuidado para não acabar com a água do planeta. Outro respondeu que se jogar água fora, o planeta vai chorar. A pedagoga, então, percebeu a oportunidade e complementou trazendo uma reflexão sobre o tema e encerrando com a fala de outra criança dizendo que sem a água não podemos viver. Acreditamos que oportunidades assim, que surge da iniciativa deles, traz uma conscientização e um aprendizado maior e diariamente aproveitamos estas oportunidades”, diz. (VT/AAN)