Publicado 10 de Setembro de 2015 - 5h30

O volume de água armazenado no Sistema Cantareira foi elevado em 0,4 ponto percentual em decorrência das chuvas que caíram no sul de Minas Gerais, onde estão as nascentes dos rios represados no sistema, e na região dos reservatórios. Foi a primeira elevação em 44 dias, segundo boletim da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), operadora do sistema. O nível dos reservatórios saltou de 15% na terça-feira para 15,4% ontem. Choveu 45,8 milímetros na região dos reservatórios, elevando para 65,5mm o acumulado de chuva em setembro, que representam 75,6% do esperado para o mês.

A situação dos reservatórios, no entanto, ainda não é de tranquilidade. A água que está sendo retirada para abastecer a Grande São Paulo e a região de Campinas vem do volume morto, da primeira cota, e a chuva de anteontem que aumentou o nível foi apenas a terceira elevação ocorrida no Inverno, estação de estiagem.

Segundo o índice negativo do sistema — que considera o volume armazenado menos a reserva técnica pelo volume útil — o Cantareira teve alta e passou de -14,3% para -13,9%. Com mais água entrando no sistema, a liberação foi reduzida ontem, visando segurar nas represas o máximo possível. Assim, as bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) que estavam recebendo 4m3/s na terça-feira, passaram a receber 2,07m3/s ontem e a Grande São Paulo caiu de 6,5m3/s para 2,46m3/s.

Para o especialista em recursos hídricos José Henrique de Toledo, além de atitudes da população de economia de água, os gestores do sistema devem aproveitar as chuvas, que aumentam a vazão dos rios a partir dos afluentes, para segurar água no Cantareira. “Não temos garantias que a Primavera e o Verão serão chuvosos e podemos chegar em 2016 com situação muito mais preocupante”, afirmou.

Mananciais

A chuva parou ontem e os reflexos foram imediatos sobre os mananciais das Bacias dos Rios PCJ. O Rio Atibaia iniciou o movimento de queda na vazão, e registrou um volume de água de 38,9m3/s passando pelo posto de monitoramento de Valinhos, uma redução de 23,3% em relação a terça-feira. No posto acima de Paulínia, a vazão registrada foi de 49,84m3/s, 37,2% a menos que no dia anterior quando o rio, nesse posto, ficou em estado de alerta de alagamento. Ontem a vazão do Rio Piracicaba era de 230,1m3/s, após as chuvas. A vazão média do mês até agora, porém, é de 24,7m3/s, ainda 40% menor que a vazão média histórica para setembro.

“Sem reservatórios de água bruta, perdemos a chance de armazenar a água a mais que passou por nossos rios na terça-feira para enfrentar os períodos de seca”, disse o engenheiro sanitário Cláudio Pereira dos Santos, da Água Para Todos, uma ONG que desenvolve projetos de educação ambiental. “São obras de médio prazo, caras, mas que trazem mais tranquilidade ao abastecimento das cidades”, disse. A implantação de reservatórios é uma orientação do Consórcio das Bacias PCJ para o enfrentamento da crise hídrica.

A implantação de duas represas nos rios Camanducaia, em Amparo, e no Rio Jaguari, entre Pedreira e Campinas, deveriam ter sido iniciadas no mês passado, de acordo com o cronograma do Departamento de Água e Energia do Estado (Daee), mas o edital de licitação ainda não foi publicado. O Ministério das Cidades informou que analisa os documentos entregues pelo governo do Estado. Esses reservatórios ampliarão em 7m3/s a oferta de água na região de Campinas. Os reservatórios estão orçados em R$ 760 milhões e será necessário, ainda, recurso para a construção do sistema adutor, orçado em R$ 346 milhões, para distribuir a água das represas aos municípios.

Campinas tem planos de construir um reservatório. A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) está em vias de concluir a análise de dois estudos — um de viabilidade técnica e outro de estruturação financeira — para a construção de represa com capacidade de cerca de 15 bilhões de litros.