Publicado 10 de Setembro de 2015 - 5h30

Campinas e região amanheceram ontem com um cenário de devastação, provocado pela forte tempestade com ventos que chegaram a 98,3km/h na terça-feira. As ocorrências mais comuns nas cidades foram queda de árvores, muros, e postes, além de falta de energia e alagamentos. Não houve vítimas. A situação mais grave ocorreu em Paulínia, onde a ventania arrancou cerca de 20 toneladas de ferragens da cobertura de zinco de um barracão desativado e tombou um caminhão-tanque de combustível vazio. Segundo a CPFL Paulista, até as 10h30 de ontem, 70,6 mil consumidores estavam sem energia elétrica em quatro cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) atendidas pela empresa. Por conta do alto índice pluviométrico, a Defesa Civil decretou estado de atenção para nove cidade da região, sendo quatro delas da RMC: Campinas, Sumaré, Monte Mor e Pedreira. Esta classificação, segundo o órgão, ocorre por conta do risco de deslizamento de terra.

Em Campinas, a Prefeitura criou uma força-tarefa e mobilizou 150 trabalhadores da Secretaria de Serviços Públicos e das quatro subprefeituras para a retirada de árvores e galhos e limpeza das vias e das calçadas. Somente ontem, foram recolhidas mil toneladas de material das ruas da cidade. O trabalho deve durar de três a quatro dias. Segundo a Defesa Civil, em um período de 24h, até as 19h de terça-feira, foram registrados 85 milímetros de chuvas, volume superior aos 64,4 milímetros esperados para todo o mês de setembro. Segundo o coordenador regional da Defesa Civil, Sidnei Furtado, a cidade não tinha tempestade desta magnitude há pelo menos dois anos. Em contrapartida, o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) registrou, em um período de 72 horas, 79,7 mm de chuva. “A nebulosidade está variável, com possibilidade de chuva esporádica até amanhã (hoje), e na sexta-feira há possibilidade de chuva mais intensa e temporal, com ventos mais fortes”, disse a meteorologista Ana Ávila.

A precipitação mais importante de anteontem ocorreu por volta das 16h30, com cerca de 20 minutos de duração. A região de Campinas que mais sofreu com o temporal foi a Leste, que engloba o Centro, Cambuí, Taquaral, Sousas e Jardim Conceição, entre outros bairros. Até as 10h de ontem, a Prefeitura havia recebido 128 solicitações para remoção de árvores — inclui árvores inteiras e galhos. Também foram registrados dez pontos de alagamento, 72 quedas de árvores e duas quedas de muro, na Vila Industrial e no Botafogo. Não houve vítimas, nem ocorrências de residências interditadas ou pessoas desabrigadas. “Apesar do forte temporal, não houve transbordamento de córregos e nem destelhamento de casas por Campinas, apenas alagamentos provocados por retorno de esgoto e de bueiros”, frisou Furtado.

Em Campinas, ao menos 15 mil acordaram ontem ainda sem energia elétrica, segundo a CPFL. Sumaré foi a cidade mais afetada em termos de queda de energia, com 30 mil consumidores, seguida de Americana, com 23 mil pontos.

Além de todo aparato da Secretaria de Serviços Públicos de Campinas, foram mobilizadas cinco equipes da Defesa Civil, uma para cada região da cidade. O trabalho consiste na vistoria de áreas atingidas por alagamentos e outras ocorrências e no acompanhamento meteorológico. Também estão envolvidas equipes das Secretarias de Urbanismo e de Cidadania, Assistência e Inclusão Social.

Trânsito

Durante a tempestade, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) registrou problemas em 37 semáforos, por conta da falta de energia elétrica. Todos foram restabelecidos na manhã de ontem, com exceção de alguns pontos que foram solucionados ao longo do dia por conta da falta de luz. Nestes locais foram mantidos os agentes da Mobilidade Urbana para orientar o fluxo. Segundo a Emdec, nos trabalhos para corrigir problemas provocados pela chuva foram envolvidos 64 profissionais da empresa, sendo 50 agentes de mobilidade urbana, cinco equipes semafóricas e nove operadores na Central de Controle Operacional (CCO).

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Limpeza envolve população; comércio lamenta perdas

Ontem foi dia de transtorno para moradores e faxina para servidores públicos de Campinas. Na Vila Industrial, uma tipuana de cerca de 100 anos caiu sobre parte do muro da Estação Cultura durante a tempestade. A árvore faz parte de outras plantadas no local e integra o patrimônio tombado na Rua Francisco Teodoro. Outras três árvores no pátio da Escola Estadual Professor Vilela Júnior, ao lado da tipuana, também caíram. Uma delas teve apenas a queda de galhos sobre a fiação elétrica. As quedas levaram pânico aos trabalhadores. “Eu quase morri de susto. Fiquei preso na minha banca e não podia sair do local. Vi sair fogo da fiação e vi as árvores indo para o chão”, disse o comerciante Nelson Tonocchi.

Na Avenida Diogo Alvares com a Júlio Soares de Arruda, no Parque São Quirino, uma árvore caiu e derrubou um poste de iluminação. A árvore ficou com parte da copa na via e os motoristas tiveram que ter a atenção redobrada. O caso mais grave na região do Taquaral foi a queda de um ficus de mais de 30 anos na Avenida Lafayete Arruda Camargo. A copa caiu em frente a uma clínica veterinária e uma residência e interditou os dois imóveis. “Temos dois carros e tivemos que guardá-los em casa de amigos, pois o portão da garagem não podíamos abrir”, contou a dona de casa Gláucia Gasparini, de 70 anos.

A vizinha dela, uma veterinária, conseguiu sair de casa com ajuda de amigos, que colocaram uma escada no muro. A mulher mora nos fundos da clínica. Os moradores estava sem energia desde as 16h da terça-feira.

Por conta da queda do ficus, moradores da via ficaram sem energia por quase 24 horas e tiveram transtornos. Um restaurante self-service nas proximidades teve que improvisar para atender os clientes. Sem poder usar a balança e também o réchaud (utensílio que mantém a comida aquecida), a comerciante Iara Gomes Pinhal, de 48 anos, teve que vender a refeição pelo sistema prato feito ou executivo. Iara também teve que pedir auxílio nas proximidades para carregar as máquinas de cartão. “Só em sorvete tive uma perda de R$ 2,5 mil. Foi assustadora a tempestade. As ruas ficaram alagadas”, contou.

Até o Centro de Oncologia de Campinas, no distrito de Barão Geraldo, foi afetado com a queda de energia. Por volta das 10h30 de ontem, galhos de árvores atingiram a fiação, o que levou a unidade a ficar sem luz. A CPFL foi acionada e prometeu restabelecer a energia até fim da tarde de ontem. (AR/AAN)