Publicado 09 de Setembro de 2015 - 5h30

O temporal que atingiu Campinas na tarde de ontem provocou quedas de 26 árvores, interrupção no abastecimento de energia elétrica em 40 bairros, além de formar ao menos seis pontos de alagamento e congestionamentos em ruas, avenidas e rodovias que cortam a cidade, complicando a volta dos motoristas para casa. Os ventos chegaram a 98,3km/h, segundo o Centro de Pesquisas Meterológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

No Aeroporto Internacional de Viracopos uma estrutura que cobria a entrada e saída de um dos estacionamentos cedeu com a ventania, mas ninguém ficou ferido. Segundo a Defesa Civil, Campinas registrou 68 milímetros de chuva a partir da madrugada de terça-feira. Somente no período da tarde, até as 17h30, havia chovido 20 milímetros, com pancadas que duraram de 15 a 20 minutos. O maior acúmulo ocorreu na região central. Com a chuva forte, até as 19h30 o índice pluviométrico tinha chegado a 74,6mm nas últimas 72 horas, e ultrapassou o esperado para todo o mês, média de 66,1mm.

A chuva espalhou estragos pela cidade. A entrada do Campinas Shopping ficou alagada. Nas ruas, foram registrados alagamento no Parque Universitário, Jardim do Lago, Vila Industrial, Jardim Novo Campos Elíseos, Bosque de Barão Geraldo e no Portão 1 da Lagoa do Taquaral, e com isso o trânsito ficou lento. Segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), 11 pontos tiveram semáforos apagados. Na chegada e saída de Campinas pela Rodovia Santos Dumont (SP-75), o motorista precisou ter paciência pois o tráfego estava mais carregado que o normal.

O volume de água, no entanto, não foi o mais preocupante. O problema maior foi provocado pelos ventos fortes. “É uma velocidade bastante considerável. O poder de destruição é significativo, foi o que preocupou. O volume de chuva é necessário, o solo estava bastante seco. Não tivemos problemas com os córregos”, afirmou o diretor regional da Defesa Civil, Sidnei Furtado.

Transtornos

No Jardim Paraíso, uma árvore caiu e ficou atravessada na Avenida Cláudio Celestino de Toledo Soares. Por causa da falta de energia no local, uma vendedora que seguia na via não conseguiu frear a tempo e bateu com o carro no tronco. A mulher teve apenas ferimentos leves. Diante da situação, um morador da região cortou um galho e sinalizou o trecho. “Resolvi a ajudar sinalizando para que não tivesse outro acidente. Entendo que os órgãos estão sobrecarregados e tomei a iniciativa de ajudar”, afirmou o engenheiro-agrônomo Joaquim Machado, de 62 anos.

No Jardim Santana, uma árvore que estava no canteiro central caiu, atingiu uma casa e impediu o acesso a uma clínica veterinária. O grande número de ocorrências pela cidade obrigou a proprietária a ter que aguardar a chegada do Corpo de Bombeiros junto com os animais. O caso foi na Avenida Lafayete Arruda Camargo. “Estava na rua e precisei correr aqui para dentro. A sorte é que não tinha ninguém de cliente”, disse a dona da clínica, Mônica Delfraro David.

Os ventos fortes também derrubaram uma árvore dentro da escola Celestino de Campos, na Vila Mimosa. O muro e o alambrado do prédio ficaram danificados.

O Departamento de Parques e Jardins (DPJ) informou que as quedas de árvores podem aumentar com a previsão de mais chuvas nos próximos dias. A Defesa Civil também afirmou ter registrado quedas de árvores no Jardim Conceição, em Sousas, Castelo, Cambuí, Vila Mimosa, Vila Georgina, Avenida Moraes Salles, Avenida Jesuíno Marcondes Machado, na Nova Campinas e na Avenida John Boyd Dunlop. Segundo a Prefeitura, não houve ocorrências graves com vítimas.

O vendaval também derrubou um outdoor na Rua Piracicaba. Leitores do Correio, informaram via Facebook, que houve chuva de granizo no Jardim Garcia, Parque Prado, Bosque, na região do Aeroporto de Viracopos e em Sumaré.

Aeroporto

A cobertura da entrada e saída de um dos estacionamentos do Aeroporto Internacional de Viracopos desabou durante a tempestade. A estrutura cedeu por volta das 16h30 e não caiu sobre nenhuma pessoa ou carro. Segundo a empresa responsável por gerenciar o estacionamento do terminal, a estrutura — de cerca de duas toneladas — começou a balançar com o vendaval e o único funcionário que trabalhava no local conseguiu sair a tempo. Essa foi a primeira vez que a cobertura apresentou esse tipo de problema. O Corpo de Bombeiros esteve no local e improvisou a saída dos veículos pela lateral. A área da estrutura foi isolada e a expectativa é que os reparos comecem hoje.

Os ventos fortes em Viracopos também entortaram e derrubaram tapumes nos arredores do aeroporto. O Terminal 1 registrou queda de energia e os geradores tiveram que ser acionados por cerca de 30 minutos, informaram comerciantes.

Energia

Um levantamento feito pela CPFL apontou que 77 mil clientes tiveram a energia desligada durante a chuva. Leitores relataram que a queda ocorreu em cerca de 40 bairros da cidade. Também houve problemas em Valinhos. De acordo com a CPFL, a falta de energia se repetiu em Americana (121 mil clientes afetados), Piracicaba (73 mil) e Sumaré (76 mil). (Colaboraram Paulo Campos, Moara Semeghini e Vinícius Agostini/AAN)

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