Publicado 09 de Setembro de 2015 - 5h30

Nem é preciso mais enumerar os grandes e sucessivos erros políticos cometidos pela presidente Dilma Rousseff, que ostenta incomparável vocação para cometer equívocos e desrespeitar a inteligência alheia, fruto de uma arrogância que lhe é peculiar, aliada a uma total incapacidade para o diálogo com oponentes, até porque, comumente, lhe faltam palavras e argumentos. Seus atos à frente das funções executivas que vem desempenhando desde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não lhe granjearam respeito profissional, mas apenas acentuaram uma maneira autoritária e grosseira de impor seus pontos de vista.

Não bastavam os problemas que lhe custaram uma baixa recorde no índice de popularidade, Dilma insiste em protagonizar fatos políticos que agravam o descrédito e criam problemas sérios até onde não havia. Daí ter que utilizar barreiras de metal nas ruas de Brasília para isolar-se do povo, como o que veio às ruas celebrar o Dia da Independência e manifestar seu repúdio a quem sempre pregou uma questionável identificação popular.

Na semana passada, em mais um gesto surpreendente, Dilma assinou e fez publicar decreto que tira poderes dos comandantes militares brasileiros e delega ao ministro da Defesa competência para assinar atos relativos a pessoal militar, como transferência para a reserva remunerada de oficiais superiores, intermediários e subalternos, reforma de oficiais da ativa e da reserva, promoção aos postos de oficiais superiores, entre outros assuntos internos. A surpresa é que o assunto estava engavetado há três anos e veio à tona de supetão, à véspera de um feriado prolongado, e, pior, sem dar conhecimento aos envolvidos, entre eles o almirante Eduardo Bacellar Ferreira, comandante da Marinha, que estava ocupando o cargo de ministro interino da Defesa, viu seu nome endossando o decreto e disse que não sabia da existência dele. O próprio ministro Jaques Wagner, que estava na China, demonstrou surpresa e desconhecimento. O desconforto e a desconfiança foram evidentes.

O episódio mal explicado e executado de forma atabalhoada acrescenta muitos motivos para especulações que seriam desnecessárias. Se há alguma intenção embutida no açodamento em publicar o decreto, esta não ficou clara e a presidente tem a obrigação de prestar contas em público. Se foi um deslize típico da incapacidade de fazer política com o mínimo de tato, foi mais uma excelente oportunidade para Dilma recolher-se à sua incompetência e parar de criar problemas. Caso contrário, só lhe restará dedicar-se a construir barreiras de metal nas ruas de todo o País. Ontem à noite, o Planalto informou que editará medida para resolver o impasse. Uma nova lambança para corrigir a trapalhada.