Publicado 08 de Setembro de 2015 - 5h30

Em comemoração aos 193 anos de Independência do Brasil, famílias e autoridades se reuniram ontem para assistir ao desfile cívico-militar de Sete de Setembro na Avenida Ruy de Almeida Barbosa — Complexo Viário Joá Penteado, na Vila Industrial. Segundo a Guarda Municipal (GM), cerca de 20 mil pessoas acompanharam o ato, que começou pontualmente às 8h. Um pequeno grupo de manifestantes estendeu faixas pedindo a intervenção militar e o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas não houve registro de confusão durante o evento.

A solenidade começou com o hasteamento da Bandeira ao som do Hino Nacional, com a participação da banda da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx). Em seguida, foi feita revista das tropas pelas autoridades máximas civil e militar, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB) e o comandante da 11 Brigada de Infantaria Leve (BIL), general de brigada Ricardo Rodrigues Canhaci. Jonas destacou a importância do ato cívico e informou que o desfile voltará para a Avenida Francisco Glicério no ano que vem. A mudança este ano foi por causa das obras de revitalização que acontecem na principal avenida que atravessa o Centro.

O tempo colaborou e as famílias foram em peso para o local. O aniversariante do dia, Alexandre de Souza Florindo, de 39 anos, ganhou de presente a companhia das filhas Melissa (10), Sarah (6) e Maria Luiza (2) para acompanhar os desfiles. “Sempre venho com elas. A gente acredita muito no nosso País, e precisamos prestigiar um evento tão importante para manter viva a cultura de nossa pátria”, disse Florindo, vestindo a camiseta verde-amarela assim como as três filhas. Eles e centenas de famílias acompanharam a partir das 8h30 a marcha de 900 homens do Exército, de diferentes setores. Os militares também levaram para o desfile 48 viaturas, como veículos blindados, ambulâncias e caminhões. Vestido com o uniforme do Exército, o pequeno Lucas, de 6 anos, acompanhava nos ombros do pai Murilo Santana, de 33 anos. “A tia dele trabalha no Bil (Brigada de Infantaria Leve) e há cinco anos ele vem vestido”, disse o pai.

Após a apresentação dos militares — que também contou com a participação da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), da Academia da Força Aérea, além do segmento feminino do Exército — foi a vez da Polícia Militar (PM) e GM demonstrar o aparato de combate à criminalidade. A parada teve representantes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Samu, Sanasa, Emdec e Setec. Centenas de integrantes de escolas municipais, estaduais e privadas e entidades da sociedade civil, como igrejas e organizações não governamentais também completaram as apresentações. Ao todo, 28 entidades participaram do desfile.

A circulação de veículos na região do Túnel Joá Penteado precisou ser alterada por causa do desfile em 14 pontos. Os bloqueios viários foram feitos desde as 6h. Muita gente parou o carro longe para acompanhar o desfile. “Parei próximo ao Hospital Mário Gatti e andamos mais de 10 minutos para chegar. Com filho no colo não é fácil. Deveriam ter colocado estacionamento mais próximo”, reclamou a atendente de telemarketing Rosana Viana Silva, de 42 anos.

Moradores da Vila Soma saem em passeata

Cerca de 900 manifestantes da Vila Soma, em Sumaré, conforme estimativa da Polícia Militar, fizeram passeata pelo Grito dos Excluídos ontem de manhã a partir das 9h desde a ocupação até o Centro Esportivo Vereador José Pereira, na Vila Yolanda Costa e Silva, onde acontecia o Desfile Cívico da Independência do Brasil. O trajeto, que foi acompanhado por viaturas da PM, incluiu a passagem pelo Viaduto Comendador Aristides Moranza, pela via da Prefeitura, a Rua Dom Barreto, e pela Avenida Rebouças, com trio elétrico, faixas e batucada.

O desfile cívico começou por volta das 8h e contou com aproximadamente 3 mil espectadores, segundo a Guarda Municipal, sendo que o ingresso dos manifestantes no Centro Esportivo aconteceu por volta das 10h30, quando o desfile já havia acabado. Antes da entrada, os participantes do movimento pediram por microfone a atenção da prefeita Cristina Carrara (PSDB), que é acusada de não dialogar com os ocupantes.

Em carta lida pelo advogado Alexandre Mandl, da associação dos moradores da Vila Soma, foi ressaltado que quanto mais o governo corta, mais a população se une e se fortalece. “Na Ocupação Vila Soma, com 2,5 mil famílias, a situação é dramática e podemos ter mais uma ação criminosa como foi a reintegração de posse na comunidade Pinheirinhos, em São José dos Campos”, completou.

A assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou que sempre que a prefeita é solicitada a dar entrevista ela concede, apenas não se pronuncia em momentos de manifestação. Ressaltou que Sumaré possui 76 ocupações em áreas públicas e que atualmente moram de favor ou de aluguel ou em área pública 12 mil pessoas, que estão na fila há mais tempo do que os ocupantes da Soma. Ao todo, a Administração Municipal afirma ter regularizado 1,4 mil moradias e ter entregue 2,5 mil unidades habitacionais. (Jaqueline Harumi/AAN)

Grito dos excluídos reúne 200 manifestantes

No momento em que a 21 edição do Grito dos Excluídos fechava o desfile, o palanque das autoridades foi esvaziado. O orador anunciou a passagem da última escola a se apresentar e encerrou o evento, enquanto mais de 200 pessoas vinham logo atrás com faixas, bandeiras e um trio elétrico. Com viés político e cobrando serviços públicos de qualidade, as autoridades preferiram deixar o local ao embate direto com os que estavam protestando.

O Grito dos Excluídos se define como um conjunto de manifestações realizadas no dia Sete de Setembro tentando chamar à atenção da sociedade para as condições de exclusão social na sociedade brasileira. “Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças”, dizem os organizadores.

De cima de um barranco, cerca de dez simpatizantes da intervenção militar vaiavam os manifestantes, que se dividiam entre arquidiocese, sindicatos e outras entidades de classe.

O fotógrafo Gilberto Félix, de 41 anos, estava de sósia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Minha forma de protestar é estar assim todos os dias. Temos que fazer a nossa parte, e não adianta ficar em casa”, disse. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que a saída do prefeito e demais autoridades antes da passagem do Grito dos Excluídos já estava programada previamente, pois a agenda delimitava a assistir ao desfile cívico-militar. No ano passado as autoridades também deixaram o palanque minutos antes do Grito passar. (GA/AAN)