Publicado 06 de Setembro de 2015 - 5h30

Enquanto algumas avenidas importantes de Campinas terão a velocidade reduzida, duas estradas que cortam a cidade têm alto índices de acidentes e nenhum reforço de segurança a motoristas e pedestres. A Rodovia José Bonifácio Coutinho Nogueira (SP-81), conhecida como Estrada das Cabras, é ponto de acidentes graves, principalmente capotamentos. A rodovia que atravessa os distritos de Sousas, Joaquim Egídio e segue até Bragança Paulista tem pista simples de mão dupla, sem guard-rail. Já a Rodovia Francisco Von Zuben (SP-91), que liga a cidade a Valinhos, é ponto de atropelamentos, além de colisões.

Nas duas vias, administradas pelo Departamento de Estradas e Rodagens (DER), as queixas de moradores do entorno e de motoristas são as mesmas: falta de sinalização que indique a velocidade máxima, de redutores de velocidade e, principalmente, de radares.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) anunciou no mês passado que diminuirá a velocidade da Barão de Itapura, Andrade Neves, Prestes Maia, João Jorge, Amoreiras e John Boyd Dunlop, que passarão de 60km/h para 50km/h. As avenidas, no entanto, são administradas pela Prefeitura, enquanto as duas rodovias estão em poder do Estado. O DER informou que estudará a redução de velocidade nas duas estradas, mas não estipulou prazo para ações ocorrerem.

Enquanto nada é feito, moradores do entorno vivem em clima de tensão. Nas casas às margens das curvas sinuosas da Estrada das Cabras, famílias se preocupam com os ruídos dos carros que passam voando na pista estreita. A velocidade máxima é de 80km/h, mas o Correio esteve no local e viu diversos carros passando acima de 100km/h. O DER informou que a via teve dez acidentes até julho. Durante todo o ano passado foram 14.

No caminho para o Observatório Municipal Jean Nicolini há marcas da pressa dos motoristas. Dois postes estão caídos às margem da pista sentido Bragança, consequência de um acidente envolvendo dois carros, que ocorreu há três semanas. O ponto tem também pedaços de um dos veículos.

A pista simples, de mão dupla, não tem acostamento ou guard-rail. Paulo Sérgio Moreira, de 45 anos, é morador de um sítio próximo ao observatório e disse que já viu diversos acidentes. Muitas vítimas são frequentadoras de uma casa noturna, no km 5 da rodovia. “O pessoal sai de madrugada da balada, já bebeu um pouco, e se perde nas curvas. É um perigo, ninguém respeita o limite de velocidade.” Para ele, a instalação de radares e lombadas poderia amenizar o problema. “Um guard-rail também é muito importante. Ando de bicicleta e me sinto bem inseguro. Tomo bastante cuidado.”

A residência de Lúcia Helena de Moura fica apenas a 10 metros da pista, após uma curva fechada. A dona de casa afirmou sentir “calafrios” ao escutar as freadas bruscas após a curva. “Tenho muito medo mesmo. Em qualquer derrapada um carro pode entrar na minha casa. Seria muito bom uma lombada aqui”, disse. Lúcia afirmou não dirigir, mas tem receio de sair a pé para comprar alguma coisa em Joaquim Egídio. “Espero meu marido chegar à noite do trabalho para fazer compras. Já vi atropelamentos feios.”

O jardineiro Ednei Andrade Sales, 29 anos, não tem opção: precisa andar às margens da rodovia para pegar o ônibus no centro do distrito e trabalhar. “Aqui na estrada só tem ônibus em três horários que vai para o Centro. Ando uns três quilômetros a pé.” Ele acredita que a rodovia deveria ter radares de velocidade. “Não adianta, o povo só respeita velocidade quando mexe no bolso. Já vi vários capotamentos aqui.”