Publicado 06 de Setembro de 2015 - 5h30

A economia brasileira está num ponto de total desequilíbrio, a exigir medidas drásticas para reconduzir o País ao trilho da normalidade, em primeiro instante, para que se possa repensar um modelo de retomada de crescimento. As causas do desastre econômico são sobejamente conhecidas, fruto de um desvario político associado a uma total incompetência para governar revelada pela presidente Dilma Rousseff. Sua incapacidade de negociação e diálogo lhe custou uma forte rejeição, não apenas da opinião pública, mas até mesmo de seus pares no Congresso, assessores e do Partido dos Trabalhadores (PT), criando barreiras que tornam cada vez mais difícil sua permanência à frente do Executivo, sempre sob a onipresente ameaça de um processo de impeachment.

Depois de um longo e inconsequente período de negação, que cedeu à conveniência de um processo eleitoral, a crise é reconhecida e o governo se esforça para convencer a todos que tem os instrumentos adequados para um propalado ajuste fiscal e um novo ciclo de investimentos. Terá muito trabalho para convencer a todos, dados os tropeços na condução do processo, que incluem até o risco de afastamento do ministro da Fazenda Joaquim Levy por dificuldade de diálogo entre as paredes do Planalto. Em verdade, o que se busca – e se coloca como absoluta prioridade – é um amplo acordo da sociedade para reverter o quadro negativo, independentemente dos percalços políticos. É importante que empresários, parlamento, governo e investidores afinem o discurso em nome de um entendimento que resgate a economia do fundo do poço.

Infelizmente, mesmo esse acordo se esboroa diante da apresentação de um orçamento extremamente pessimista para 2016, com confesso déficit fiscal, e o governo insiste na tecla da criação de fonte de receita através de novo imposto, que pode ser a recriação da proscrita CPMF. Não surpreende que o governo insista nessa tecla nefasta, até porque parece inevitável que se adotem medidas de geração de recursos. Grande parte da rejeição da ideia está justamente na reticência de Dilma Rousseff em anunciar corte de despesas, o que lhe traria mais desgaste político, impondo um pesado ônus à sociedade sem oferecer a contrapartida lógica de contenção de gastos. O que se pretende até agora é que a conta precisa ser paga, está sendo apresentada ao povo brasileiro, enquanto os políticos nadam de braçada no desperdício, nas mordomias, nos gastos impróprios e na arrogância de acreditar que a solução deve vir apenas do sacrifício da sociedade.