Publicado 10 de Setembro de 2015 - 5h30

Depois de ser assombrado pela dúvida do rebaixamento no primeiro turno, o Santos já está disputando com vigor uma vaga no G4. A equipe da Vila Belmiro foi soberana na Vila ontem, venceu o São Paulo por 3 a 0, pela 24 rodada, e completou a nona vitória seguida em casa, oito delas pelo Brasileiro. Agora, a equipe só tem um ponto de desvantagem para a zona da Copa Libertadores. A diminuta torcida são-paulina repetiu o coro ouvido nos jogos do Morumbi: "time sem vergonha".

A bola de cristal do técnico colombiano Juan Carlos Osorio se mostrou meio opaca. Ele havia previsto um jogo ofensivo, mas o prognóstico se confirmou apenas para os donos da casa. Os visitantes tiveram duas chances, isoladas no início e no fim do 1 tempo, as duas com Rogério. No resto, correram atrás do rival.

O Santos foi o senhor do jogo, sempre com maior posse de bola. Os erros de passe, no entanto, prejudicaram a sua fluidez. Muitos passes morriam no vazio e a equipe não conseguiu provocar o tsunami que causou nos jogos anteriores. Jogo equilibrado até a metade do primeiro tempo.

A estratégia santista era, na verdade, um torniquete que foi dando suas voltas à medida que o tempo passava. Quase sempre pelo lado direito, com as triangulações entre Victor Ferraz, Gabriel e Rafael Longuine, o Santos cutucava o rival e começava a tocar sua música.

Marquinhos Gabriel não tem a exuberância de Lucas Lima, mas foi um armador eficaz. Inspirado pelo titular, tentou metidas enjoadas, como aos 28’. Ricardo Oliveira recebeu, cruzou de primeira e Thiago Maia furou na pequena área. Vale lembrar que Maia é volante, o elemento surpresa que começou a confundir a zaga do São Paulo.

E o torniquete deu sua volta definitiva aos 31’. Após cobrança de falta de Zeca, o zagueiro David Braz desviou de cabeça no ângulo. O São Paulo não havia tomado gol nos últimos quatro jogos. Uma faixa subiu nas arquibancadas pedindo a convocação do capitão santista para a Seleção.

O segredo do Santos foi a movimentação dos jogadores de frente. Os defensores do rival não sabiam a quem marcar. Por outro lado, não funcionou a estratégia de contra-ataque do São Paulo. Paulo Henrique Ganso não conseguiu esticar nenhum dos três velozes atacantes. Mérito de Thiago Maia e Renato, que fizeram grande jogo.

Aos 42’, o gol marcado por Rafael Longuine evidenciou a sinuca de bico em que o São Paulo se encontrava. Gabriel aproveitou bobeada de Reinaldo e tocou para o meia anotar o segundo gol.

O técnico Osorio voltou atrás e escalou Michel Bastos, que estava sendo poupado, e Wesley no lugar Wilder e Hudson no segundo tempo. Não deu tempo de o time esboçar reação tática e psicológica. Logo aos 6 minutos, o Santos definiu a partida. Após boa jogada de Victor Ferraz e Renato, Ricardo Oliveira se antecipou ao goleiro Renan Ribeiro e fez seu 16 gol no Campeonato Brasileiro.

O São Paulo conseguiu ser ainda pior no jogo, mais lento e menos objetivo, e só teve uma chance: Rogério fez bela jogada e Michel Bastos acertou a trave. Nem esse lance diminuiu os gritos de "olé" da torcida santista. (Da Agência Estado)

AS FRASES

“Temos que ressaltar a evolução coletiva e o acréscimo que o Dorival trouxe à equipe.”

SANTOS

Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato, Rafael Longuine (Serginho) e Marquinhos Gabriel; Gabriel (Marquinhos) e Ricardo Oliveira (Nilson). Técnico: Dorival Júnior.