Publicado 09 de Setembro de 2015 - 5h30

Depois de ser testado em competições amadoras, o cartão verde será utilizado pela primeira vez em uma competição oficial. A cobaia é a Série B do Campeonato Italiano. Todo jogador ou técnico que der demonstrações de fair play e, principalmente, colaborar com a arbitragem, poderá receber ao final do jogo um cartão verde, cuja função é valorizar atitudes que contribuam para um futebol mais honesto. Ao final da temporada, o profissional que tiver o maior número de cartões verdes receberá um prêmio, ainda não definido. “É um prêmio simbólico. Deve ser algo bastante simples. O importante é reconhecer quando um profissional faz algo exemplar”, explica Andrea Abodi, presidente da liga que organiza a Série B italiana.

O novidade será implantada com o campeonato em andamento, em setembro. O cartão não será exibido durante o jogo para não ferir as regras da Fifa. Ao final da partida, o árbitro apontará quem foi merecedor da honraria.

O que vai acontecer se a novidade um dia chegar ao futebol brasileiro? Como reagiria a torcida do Flamengo se o zagueiro Wallace avisasse o juiz que o primeiro gol do time no Fla-Flu foi irregular porque ele fez a “assistência” com o braço? Seria aplaudido ou criticado?

Fiz um enquete com 20 amigos que gostam de futebol. Perguntei como reagiriam se o centroavante do time deles avisasse o árbitro que fez um gol com a mão em uma partida com o placar de 0 a 0.

Doze deles afirmaram que aplaudiriam o atleta, com algumas ressalvas. Sete admitiram que o xingariam e dois não sabem como reagiriam. Isso já mostra como seria difícil para um jogador se comportar da maneira correta no Brasil.

A arbitragem nacional passa por um período difícil, o que tem causado indignação de atletas, treinadores, clubes e torcedores. Mas poucos estão dispostos a colaborar com os árbitros. Nem todos são capazes de valorizar o atleta que abrir mão de um gol ilegal. Maradona até hoje se vangloria pelo gol que marcou com a mão contra a Inglaterra na Copa de 1986. E muitos fariam o mesmo, desde que fosse em benefício próprio.

No sábado, o atacante paraguaio Ovelar, do Junior Barranquilla, contou para o juiz que foi ele que tocou a mão na bola num lance em que foi marcado pênalti para o seu time. O Junior Barranquilla perdia por 1 a 0 para Uniautónoma e poderia empatar a partida, válida pelo Campeonato Colombiano.

“Eu sou muito sincero. Disse ao árbitro que toquei com a mão, mas não foi intencional. Ele me deu o amarelo, mas tudo bem. Foi só uma questão de princípios”, explicou o atacante. Ovelar levou um cartão amarelo. Mas merecia um verde.