Publicado 07 de Setembro de 2015 - 5h30

O coro de apenas 1.500 torcedores do Corinthians soou forte no estádio Allianz Parque após o empate por 3 a 3 com o Palmeiras, ontem, pela 23 rodada do Campeonato Brasileiro. Após um dos melhores jogos da competição — cinco gols foram feitos no primeiro tempo —, a igualdade favoreceu o líder do torneio, que tem agora cinco pontos de vantagem para o Atlético Mineiro (50 a 45). O Palmeiras, com 35, perdeu a chance de se aproximar do G4 e lamentou o empate depois de estar três vezes à frente no placar.

A intenção do Palmeiras ficou explícita já na escalação. Com a entrada de novos laterais (Lucas e Zé Roberto), o técnico Marcelo Oliveira queria explorar as beiradas do campo. E descobriu que o mapa da mina era mesmo pelo setor direito.

Depois de superar o nervosismo do início, no qual errou muitos passes e confundiu velocidade com pressa, o Palmeiras começou a construir o placar por ali. Aos 19’, após bela jogada de Dudu, Lucas chutou e contou com o desvio decisivo de Guilherme Arana para abrir o placar.

Mas já diz o ditado popular que pau que bate em Chico bate também em Francisco. O mesmo Guilherme Arana que avançava e deixava espaços mostrou que valia apostar na ofensividade. Aos 24’, Malcom construiu toda a jogada e tocou para Arana se redimir. Ele invadiu a área como um veterano e tocou na saída de Fernando Prass para empatar.

A estratégia de jogar pelas pontas continuou como a mais efetiva para os dois lados. Dois minutos depois, Lucas cruzou para o gol de cabeça de Robinho. Grande parte da equipe correu para cumprimentar o lateral-direito pelo cruzamento. Justo.

A explicação para tantos gols, um depois do outro, está na eficiência dos laterais, que destruíram o esquema defensivo dos dois lados. A jogada de linha de fundo comprovou que é quase mortal quando feita com velocidade e bom posicionamento dos atacantes. Isso ficou claro de novo aos 37’. O Palmeiras não conseguiu anular a jogada aérea do Corinthians com a escalação de Leandro Almeida no lugar de Victor Ramos. Amaral se atrapalhou, fez um gol contra e permitiu o novo empate: 2 a 2.

Quando os torcedores tentavam recuperar o fôlego diante de um primeiro tempo alucinante, Dudu colocou o Palmeiras na frente de novo após cobrança de escanteio. De novo uma jogada de linha de fundo que deu certo após falha de posicionamento da defesa do Corinthians, algo raro no torneio.

O segundo tempo voltou ao "normal", como o jogo mais centrado no meio. E num lance de sorte, o Corinthians arrancou o empate. A bola bateu na cabeça de Vagner Love e entrou. Nos acréscimos, Cássio garantiu o empate ao espalmar cabeçada de Leandro Almeida. (Da Agência Estado)

Vagner Love comemora o bom momento: ‘A sorte voltou’

Vagner Love, cria do Palmeiras, fez um gol contra o ex-clube, participou de outro (anotado contra para Amaral) e mais que isso: talvez ele tenha feito a sua melhor partida pelo Corinthians. Por isso foi o clássico de Love. O criticado e até então contestado atacante virou artilheiro. Engrenou boas atuações após voltar a ser titular (Luciano se machucou) e voltou a marcar gols. Se não é aquele Vagner Love de arrancadas e dribles, é um atacante mais matador e oportunista.

Foi assim que ele marcou dois gols contra o Cruzeiro e foi assim ontem. A boa fase, segundo ele próprio, teria voltado. Ou pelo menos a sorte voltou. "Acho que os gols saíram na hora certa. Acho que é sorte. Antes a bola estava batendo em mim e saía. Hoje não", disse o jogador.

Com o gol de ontem, Vagner Love já soma sete e ainda está atrás do goleador do time, o meia Jadson, com nove. Mas já é um número que condiz com um centroavante. O técnico Tite defendeu o atacante e disse que o mérito é do próprio jogador, que soube lidar com a pressão. "Quem acreditou nele foi o Vagner Love. Não foi só o técnico. Primeiro foi ele. Sei como são as pressões, quando você não está num grande momento. Ele acreditou, ficou quieto e foi trabalhar." (AE)

A sensação que fica é de derrota, diz Marcelo Oliveira

O técnico Marcelo Oliveira confessou que o empate no clássico deixou a sensação de derrota, principalmente pelo fato de o Palmeiras estar à frente no placar em três oportunidades. "Se a gente avaliar que o Corinthians é o time mais regular do torneio, a gente até aceita o empate. Mas estivemos à frente três vezes. Por isso fica a sensação de derrota", disse o treinador palmeirense.

O meia Robinho também lamentou. "Foram erros nossos. É uma coisa que a gente precisa corrigir", avaliou.

As principais falhas da equipe, na visão do treinador e também dos jogadores, foram os dois gols de bola parada. "É preciso ter atenção e precisamos melhorar a marcação", avisou o técnico.

Um lance importante também foi destacado pelo treinador. Quando o time vencia por 3 a 2, Zé Roberto desperdiçou grande oportunidade. "Tivemos uma chance clara e tínhamos o controle. O Corinthians tem todos os méritos e se aproveitou."

O empate trouxe um grande prejuízo para o Palmeiras na tabela de classificação. Agora, o time está três pontos atrás do G4, que tem o São Paulo na quarta colocação. Para o jogo com o Internacional, quarta, o time tem quatro desfalques: Dudu, Gabriel Jesus, Robinho e Lucas. Todos levaram o terceiro cartão amarelo. (AE)