Publicado 06 de Setembro de 2015 - 5h30

A 23 rodada do Campeonato Brasileiro é especial. Ou ao menos deveria ser. Afinal, a CBF programou dois dos maiores clássicos do futebol brasileiro para hoje, no horário nobre das 16h.

No Allianz Parque, Palmeiras e Corinthians se encontram num jogo cercado de enorme expectativa. Os donos da casa tentam voltar ao G4 ou ao menos se aproximar dele. E o líder defende uma incrível invencibilidade de 14 partidas na Série A.

O Maracanã também será palco de uma grande partida. Pela 51 vez na história do Brasileirão, Flamengo e Fluminense vão disputar o “clássico das multidões”. O retrospecto do Fla-Flu é equilibradíssimo. São 19 vitórias do Tricolor, 18 do Rubro-Negro e 13 empates. Hoje, os dois rivais se enfrentam em busca de três pontos que vão deixar o vencedor mais perto do G4.

Tinha tudo para ser uma rodada especial, mas a CBF consegue estragar o que o Brasileirão tem de melhor. A 23 rodada — assim como a 22 e a 24 — será uma das mais pobres do campeonato porque foi marcada em uma data Fifa. Assim, os melhores jogadores de diversos clubes estão espalhados pelo mundo, defendendo suas seleções.

Hoje o Flu não terá o zagueiro Marlon, o Fla não terá o lateral Jorge e o Corinthians não terá Elias, só para citar alguns titulares ausentes dos clássicos. O Palmeiras não terá o garoto Kelvin, que é reserva, mas já participou de 10 partidas no Brasileirão.

A lista é grande porque as ausências não se restringem aos convocados por Dunga para os amistosos nos EUA. Times das Séries A e B também cederam atletas para a seleção olímpica, que na terça enfrenta a França. Além disso, estrangeiros que atuam no País e foram convocados por suas seleções também estão fora das três rodadas.

Infelizmente, os clubes brasileiros aceitam esse calendário ridículo. Nenhum campeonato com mínima relevância tem rodada em datas reservadas pela Fifa para seleções. Isso é um absurdo porque pune clubes (obrigados a jogar sem seus melhores jogadores) e público (que vê jogos de qualidade inferior).

Em alguns casos, esse calendário estúpido também provoca mudanças na classificação. O melhor exemplo disso é o Brasileirão de 2012, no qual o Santos disputou 17 partidas com Neymar. Somou 32 pontos, com 62,7% de aproveitamento. Nas outras 21 rodadas, Neymar não jogou. Em muitas delas, esteve a serviço da CBF. Sem o craque, o Peixe somou apenas 21 pontos. O aproveitamento despencou para 33,3%.

Outro caso importante foi o de Washington com a Ponte Preta em 2001. A Macaca cedeu seu jogador à Seleção e disputou a semifinal da Copa do Brasil sem ele. Washington foi artilheiro do torneio, com 11 gols em 9 jogos. Fez muita falta.

Até quando a CBF vai continuar estragando suas melhores competições com um calendário mal feito? Até quando os clubes vão aceitar isso?