Publicado 06 de Setembro de 2015 - 5h00

O ator brasileiro, que engordou cerca de 20 quilos para dar vida a Escobar

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O ator brasileiro, que engordou cerca de 20 quilos para dar vida a Escobar

A história do narcotraficante colombiano Pablo Escobar, retratada na esperada série 'Narcos', da Netflix, já foi tema por aqui, em junho, quando a coluna entrevistou o protagonista Wagner Moura. Porém, na época, pouco poderia ser falado sobre os episódios, já que eles seriam liberados apenas nessa semana que passou. Só que, agora, os dez capítulos dessa interessantíssima produção dirigida por José Padilha já estão entre nós e, sem surpresa alguma, têm dominado as rodas de conversas dos amantes de séries. Só se fala em Narcos. Portanto, nada mais justo do que retornar com esse tema para, finalmente, falar da série em si.

Antes de mais nada, se você acha que o fato de José Padilha ter escolhido Wagner Moura para o papel tem alguma relação com Tropa de Elite, você está certíssimo. Narcos, em diversos momentos, não apenas lembra o excelente filme nacional de 2007, como um desavisado pode achar ser o longa e não a série em algumas cenas. As semelhanças são realmente gritantes, principalmente quando Padilha mostra a atuação da polícia colombiana com detetives norte-americanos. Até tortura com saco na cabeça e, posteriormente, tiros certeiros para apagar os bandidos estão lá, sem dó ou piedade.

Sangue não falta em Narcos. Massacres desenfreados causados pelos magnatas do tráfico e por aqueles que lutam para impedi-los dão o tom da história. Aliás, caso não conheça o enredo (oi?), Pablo Escobar foi o responsável por introduzir cocaína nos Estados Unidos, especificamente em Miami, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo entre as décadas de 1980 e 1990. O traficante chegou a aparecer na lista de bilionários da revista Forbes — fato explorado já no segundo episódio da trama.

Escobar já era um grande nome do contrabando ilegal colombiano quando foi apresentado à cocaína. Esperto, viu o potencial financeiro da droga de cara e desenvolver técnicas dignas de cinema para conseguir exportar cocaína. É realmente surreal as ações do líder, “um realismo mágico”, como definiu recentemente o próprio Padilha. Tanto que o diretor optou por misturar fotos e até imagens de arquivo com sua ficção, ou “ninguém acreditaria que aquilo aconteceu.” A foto do Escobar original preso e que ficou conhecida no mundo todo aparece o tempo todo, inclusive na abertura (a cena de Wagner Moura fazendo a foto é hilária).

E apesar do foco ser o colombiano, a série é narrada desde o primeiro momento pelo agente da Agência Antidrogas Americana, a DEA, Steve Murphy, interpretado pelo ator Boyd Holbrook (Garota Exemplar). Murphy foi enviado à Colômbia na década de 80 para combater o tráfico e perseguiu Escobar até sua morte, em 1993. O ator, assim como Moura, está muito bem caracterizado e segura o papel com muita convicção.

A narração, algumas vezes, deixa o ritmo da série um pouco lento — o episódio piloto, apesar de bom, arrasta em determinadas situações —, mas a grandiosa produção compensa qualquer deslize, assim como o elenco. E estamos falando de cinema, como na maioria das séries da Netflix, com uma fotografia espetacular. E Padilha, principalmente nas cenas que Murphy deixa de contar a história para o espectador acompanhar os acontecimentos “em tempo real”, digamos assim, dá um show de execução, com roteiro afiado e ritmo alucinante.

Pedro Pascal (o inesquecível Oberyn de Game of Thrones) é outro nome forte da série como o agente Javier Peña, parceiro de Murphy na Colômbia. Canastrão, marrento, honesto na medida do possível e cheio de vontade de acabar com a festa de Escobar, ele — com a ajuda seus contatos — é quem abre terreno, quase literalmente, eliminando quem estiver no caminho, para a DEA agir.

Algumas ponderações. O portunhol de Wagner Moura é imperdoável. Sabemos que ele precisou aprender o idioma exclusivamente para a série, mas não deu tempo de ficar bom o suficiente para convencer como um nativo. Sua interpretação de Escobar é precisa, incontestável, mas a dificuldade com a língua por muito pouco não tira o brilho de seu trabalho. O assunto até virou piada na internet esta semana.

Outra coisa. Os episódios precisavam ter um ritmo mais linear. Alguns são excelentes, bombásticos e cheios de revelações, daqueles que te obrigam a assistir ao próximo. Porém, outros são arrastados e sem brilho, tirando momentaneamente o prazer pela série. O final, por exemplo, já tem sido alvo de discussões, por ter desagradado muita gente. O episódio 8, intitulado A Grande Mentira, por outro lado, é unânime no gosto dos fãs e, sem dúvida, se você não chegou lá ainda, também vai te pegar de jeito. Prepare-se.

PS: A Netflix confirmou, na última quinta-feira, a renovação de Narcos para uma segunda temporada. Ufa!