Publicado 06 de Setembro de 2015 - 5h00

Por Zeza Amaral

Colunista Zeza Amaral

Cedoc/RAC

Colunista Zeza Amaral

Posso estar errado, mas, diante do noticiário nacional e internacional, acho que a senhora Dilma Rousseff não comerá panetone no Palácio do Planalto. Dois terços dos brasileiros querem que ela se demita do cargo maior da República.

Eu rego as plantas da varanda do apartamento. Elas são sublimes e humildes em suas flores e cores. Há uma palmeira anã na sala que não gosta da luz do sol. Ela só quer um sossego na sala da televisão, de pouca luz e vento. De vez em quando, Betinha a leva para o chuveiro e banha as suas pequenas folhas, lavando-as das pequenas poeiras do dia a dia.

São duas mulheres, a Betinha e a palmeira, e uma cuidando da outra, do prazer que a vida nos oferece, assim como lavar as costas de um filho, de cuidar de uma mãe idosa, de levar pequenos sobrinhos para descobrir os prazeres de uma nova cidade, criar um bolo de aniversário, preparar um mingau com caras engraçadas. E bem sei que o raro leitor entendeu essa coisa de mingau.

Bobagem achar que os bandidos da Pátria podem nos restituir o que roubaram durante tantos anos, tantos bilhões, dinheiro de nossos hospitais, de remédios, merendas, dos salários de nossos professores, enfim, roubando sonhos brasileiros e contribuindo com a triste realidade de crianças, homens e mulheres morrendo em corredores de hospitais, assassinatos dos quais os ladrões da Pátria jamais serão acusados.

Vejo um novo broto nascendo na trepadeira da varanda. Há anos ela vive naquele grande vaso. Suas folhas são densas, carnosas, e apenas cuidamos para que siga em frente. Não dá flor e nem isso esperamos dela. Queremos apenas que ela siga a sua vida.

Não há sol suficiente para que tenha flor. Mas ela vive por conta da água que lhe oferecemos, dia sim, dia não, mas, sobretudo, pelo carinho da companheira Betinha que tira com cotonete as cochinilhas que se lhe infestam as folhas. E os ladrões da Pátria seguem sugando o suor dos trabalhadores, mesmo quando presos.

E digo isso por força desse bandido maior do Brasil, José Dirceu, que, mesmo preso por conta do Mensalão, recebeu em sua conta bancária milhões de reais do Petrolão. Que vida mais idiota, meu Deus!

Gosto das plantas porque elas não defecam e nem urinam; seres que não defecam e nem urinam são os mais sinceros. Homens são duvidosos. Eu mesmo me acho duvidoso, o que me leva a não atrever em roubar o suor do trabalhador brasileiro.

Eu apenas quero cuidar das minhas simples palavras, dos meus valores morais e constitucionais, das minhas plantas, e do carinho que tenho pela companheira que também cuida de si e de tudo o que a cerca, seus amigos, seus irmãos, a mãe, a história de todos que ela julga necessária para levar a sua vida em frente.

De algum jeito, fiz da família da minha companheira o meu país, visto que a minha família se dissolveu em egoísmo barato de sobrevivência, de um não querer saber do outro, de um desleixo existencial, de um desencontro social, de um não querer incomodar ninguém, e éramos em oito irmãos e hoje não passamos de uma pequena sombra de cemitério, onde já enterramos nossos pais e três irmãos.

Olho o pequeno vaso de violeta da varanda e me ajeito para uma conversa de cigarro, tragando as minhas lembranças. É um momento em que esqueço dos bandidos da Pátria, dessa escória funesta, dessa bandidagem que nada entende de vasinhos de violeta e sequer de regar as plantas de suas casas, do bem cuidar de seus filhos, de uma companheira.

E bem me acho no direito de rezar pelas mulheres e filhos desses bandidos, para que eles jamais se esqueçam das flores que os honestos brasileiros regam depois de mais um bom dia de trabalho. Afinal, somos tantos e os bandidos tão poucos.

Bom dia.

Escrito por:

Zeza Amaral