Publicado 07 de Setembro de 2015 - 5h00

Por Milene Moreto

Milene Moreto

Cedoc/RAC

Milene Moreto

A presença do economista Marcio Pochmann na disputa eleitoral pela Prefeitura de Campinas em 2016 ainda é uma incerteza. O PT depositou todas as esperanças nessa candidatura e trabalha para consolidar o nome dele, desde a derrota em segundo turno na campanha de 2012. Mas no atual cenário, há dúvidas de que Pochmann enfretará as ruas. Segundo o professor de ciências políticas da Unicamp, Valeriano Costa, Pochmann não demonstra intenção ou ânimo para participar do pleito.

Debates

Apesar do momento desfavorável, o economista participa da vida do partido na cidade. Frequenta as reuniões com diversas lideranças e nas comunidades. Pochmann continua discreto e técnico. O lado mais “formal” do petista até pode ser uma vantagem. Foi sua sobriedade e sua capacidade técnica que acabaram rendendo votos a ele e garantiram, em 2012, sua presença no segundo turno da eleição ao lado de Jonas Donizette (PSB).

Frase

Torcida não ganha o jogo. E do ponto de vista das eleições, o PT ainda está numa posição muito ruim. (Do professor de ciências políticas da Unicamp, Valeriano Costa, sobre a situação do PT no cenário eleitoral de 2016).

Trauma

Em 2012, os campineiros ainda estavam em processo de recuperação da crise política, do Caso Sanasa. Os eleitores buscavam uma figura que fugisse do padrão político comum. Por um tempo, Pochmann conseguiu avançar nesse eleitorado. Quando ele resolveu ouvir conselhos de figuras carimbadas do PT, e partiu para agressividade, acabou perdendo votos e, consequentemente, a eleição.

Por falar em eleição

O momento não é o mais favorável para o economista. Ele perdeu na última sexta-feira a eleição para a direção do Instituto de Economia da Unicamp. O vencedor foi o candidato Paulo Sérgio Fracalanza, com cinco votos a mais entre os docentes. No grupo dos funcionários Pochmann também perdeu e houve empate entre os alunos.

Quero dinheiro

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não quer nem saber de ficar sem dinheiro para a campanha eleitoral. Denunciado por receber propina da Petrobras, Cunha disse na última semana que vai colocar novamente a permissão para a doação de empresas na minirreforma eleitoral. A doação foi proibida pelo Senado, que teve mais coerência na análise da matéria. A minirreforma voltará para a Câmara dos Deputados e a previsão é que a votação ocorra nos próximos dias.

Mais problemas

Como já não bastassem todos os problemas, o governo federal ganha mais dois para administrar. Os ministros da Comunicação Social, Edinho Silva, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante, tiveram abertura de investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Eles são acusados por doações ilegais durante campanha.

No mesmo saco

Quem também será investigado é o senador Aloysio Nunes, do PSDB. Ele é acusado de ter recebido R$ 500 mil da UTC, investigada na Lava Jato, por meio de “caixa 2”. Todos negam a ilegalidade. Se o fato de um tucano também ser investigado agrada o PT, deixa a terrível sensação para os eleitores de que os políticos são, de fato, farinha do mesmo saco.

Melhor explicar

As declarações do vice-presidente Michel Temer (PMDB) na noite de quinta-feira continuam dando o que falar. Ele afirmou que, com uma popularidade tão baixa, será difícil a presidente Dilma terminar seu mandato. Ontem, a assessoria de Temer enviou uma nota reafirmando seu compromisso com o governo federal e reiterando que sua missão é que Brasil “chegue a 2018 melhor do que está hoje”. “Como acadêmico, seus raciocínios têm premissa e conclusão. Não é frasista. Não se move pelos subterrâneos, pelas sombras, pela escuridão”, diz a nota.

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