Publicado 06 de Setembro de 2015 - 10h47

Por Bruno Bacchetti

Uma das áreas contaminadas já recuperadas estava onde fica a fábrica da Pirelli, na Avenida John Boyd Dunlop, em Campinas: empresa diagnosticou e iniciou reabilitação há 5 anos

Leandro Ferreira

Uma das áreas contaminadas já recuperadas estava onde fica a fábrica da Pirelli, na Avenida John Boyd Dunlop, em Campinas: empresa diagnosticou e iniciou reabilitação há 5 anos

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) registrou aumento de 14% na reabilitação de áreas com o solo contaminado por produtos químicos, metais ou combustíveis. De acordo com dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), no ano passado a região teve um total de 106 áreas, entre reabilitadas (31) e em processo de monitoramento para encerramento (75) — que também são consideradas reabilitadas.

Em 2013, foram ao todo 93 áreas, das quais 24 reabilitadas e 69 em processo de monitoramento para encerramento. Porém, a expansão foi inferior ao Estado de São Paulo, que registrou um aumento de 30% na reabilitação de regiões afetadas por produtos tóxicos.

Por outro lado, a quantidade de áreas contaminadas na região também cresceu, passando de 366 há dois anos para 390 em 2014, o que corresponde a um aumento de 6,5%.

Segundo a Cetesb, isso acontece por causa da ação rotineira de fiscalização e ao licenciamento dos postos de combustíveis, fontes industriais, comerciais, de tratamento e disposição de resíduos e do atendimento a acidentes.

A existência de uma área contaminada pode gerar problemas, como danos à saúde, comprometimento da qualidade dos recursos hídricos, restrições ao uso do solo e danos ao patrimônio público e privado, com a desvalorização das propriedades, além de danos ao meio ambiente.

“É muito importante identificar mais áreas para o trabalho de análise sobre contaminação. O aumento do número de áreas contaminadas mostra, acima de tudo, que este trabalho de identificação e análise é crescente e gera mais segurança para a população”, destaca a secretária de Estado do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias.

Das 31 áreas já reabilitadas na região no ano passado, 18 foram contaminações causadas por postos de combustíveis, 58% do total. O registro dos casos envolvendo os postos de combustíveis é expressivo por causa da legislação federal obrigando o licenciamento ambiental desses empreendimentos.

Outras sete áreas reabilitadas são indústrias, três comércios e uma área foi reabilitada após contaminação por acidente na linha férrea da América Latina Logística, em Americana, com combustíveis automotivos e solventes.

A maioria dos produtos contaminantes são solventes aromáticos (utilizados nas indústrias plásticas de borracha, química e petroquímica); hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs, sigla para o inglês polycyclic aromatic hydrocarbons), gerados pela queima de combustíveis como petróleo e seus derivados; metais e combustíveis automotivos.

De acordo com relatório da Cetesb, uma das áreas contaminadas e já reabilitada em Campinas é na fábrica da Pirelli, na avenida John Boyd Dunlop, no Campo Grande. Segundo a agência, houve contaminação por hidrocarbonetos totais de petróleo (TPH, na sigla em inglês), resultante da fabricação de pneu. O solo foi contaminado superficialmente e foi realizado um trabalho de remoção dos resíduos do solo.

A Pirelli informou, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, que a área impactada foi diagnosticada há cinco anos, e desde então teve início o trabalho de remoção dos resíduos. “O solo em questão foi removido, destinado de maneira ambientalmente correta e foi substituído por terra nova.”

A empresa disse, ainda, que segue as normas ambientais vigentes para evitar novas contaminações. “(...) As certificações internacionais que recebemos anualmente, como ISO 14001, a renovação do licenciamento ambiental da unidade e a liderança há 8 anos consecutivos do Índice Dow Jones de Sustentabilidade atestam a boa qualidade destas práticas.”

Entenda os níveis de classificação da Cetesb

Área Reabilitada para o Uso Declarado (AR)

Área, terreno, local, instalação, edificação ou benfeitoria anteriormente contaminada que, depois de submetida às medidas de intervenção, ainda que não tenha sido totalmente eliminada a massa de contaminação, tem restabelecido o nível de risco aceitável à saúde humana, ao meio ambiente e a outros bens a proteger.

Área em Processo de Monitoramento para Encerramento (AME)

Área na qual não foram constatados riscos ou as metas de remediação foram

atingidas após implantadas as medidas de remediação, encontrando-se em processo de monitoramento para verificação da manutenção das concentrações em níveis aceitáveis para a população do entorno.

Escrito por:

Bruno Bacchetti