Publicado 10 de Setembro de 2015 - 12h04

Por Agência Estado

Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais, os tucanos paulistas estão pressionando o governador Geraldo Alckmin a antecipar a escolha do seu indicado para disputar a Prefeitura da capital em 2016. A movimentação precoce do processo de prévias partidárias, entretanto, desagradou o Palácio dos Bandeirantes, que considera o momento inadequado para esse debate.

Otimistas com a popularidade baixa do prefeito Fernando Haddad (PT) e o crescimento do sentimento antipetista em São Paulo, os tucanos congestionaram a fila de interessados pela vaga. Pela primeira vez na história do partido as prévias acontecerão no ano anterior ao pleito.

Cinco nomes estão na lista, sendo que dois já se apresentaram formalmente e pagaram uma taxa de R$ 20 mil exigida aos interessados em se tornar candidato em 2016: o vereador Andrea Matarazzo e o empresário João Doria Jr.

Os principais quadros do PSDB paulista anunciaram na semana passada que fecharam com Matarazzo. O apoio foi selado com pompa e circunstância em um ato político na casa do ex-ministro da Justiça José Gregori. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os senadores José Serra e Aloysio Nunes, deputados federais, vereadores e secretários estaduais se revezaram ao microfone fazendo discursos de apoio a Matarazzo. "O quadro é favorável ao PSDB. Mas, como diria (o ex-vice-presidente) Marco Maciel, é momento de fulanizar. É momento de fazer escolha. E a minha escolha é Andrea Matarazzo", afirmou FHC.

Embora seja favorável às prévias, Alckmin considera um erro tratar desse assunto agora. Apesar de ser o fiel da balança, o governador está vendo o presidente municipal do PSDB, vereador Mário Covas Neto, conhecido como Zuzinha, conduzir o processo à sua revelia. Alckmin avisou que não aceitará a imposição dessa agenda.

Leque

Enquanto o grupo dos tucanos históricos avança unido, o governador trata de ampliar o leque de possibilidades ao estimular aliados próximos e auxiliares de sua confiança a entrar na disputa.

Primeiro a se inscrever nas prévias, João Doria consultou Alckmin antes de entrar em cena. E recebeu carta branca. Outra opção é o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, que ensaia deixar o PMDB e migrar para o PSDB para entrar na fila.

A avaliação de tucanos próximos a Matarazzo é de que o evento da semana passada foi uma demonstração de força do vereador e um recado ao Palácio dos Bandeirantes: de que os líderes paulistas não gostariam que candidato do PSDB seja imposto por Alckmin.

Os quadros da "velha guarda" do partido, também chamados de "tucanos históricos", temem que o governador use sua caneta para escolher um candidato sem tradição na sigla.

Os demais tucanos que pleiteiam um lugar na urna eletrônica em 2016 - os deputados Bruno Covas, Ricardo Tripolli e o ex-deputado José Aníbal - selaram um acordo para enfrentar o favoritismo de Matarazzo.

'Prévias das prévias'

Eles farão uma "prévias das previas" e apenas um deles será inscrito na disputa. O grupo não conta com apoios estrelados como Matarazzo, mas, juntos, tem maior influência sobre os 58 diretórios zonais do PSDB. O colégio eleitoral das previas é formado por cerca de 25 mil filiados ao partido na capital. Em 2012, o ex-governador de São Paulo e atual senador José Serra venceu as prévias do PSDB com 52,1% dos votos.

Seus concorrentes foram Aníbal, então secretário estadual de Energia, e Tripoli, que receberam, respectivamente, 31,2% e 16 7%. Ao todo, 6.229 militantes do partido votaram, Serra recebeu 3.176 votos, seguido de Aníbal (1.902) e Tripoli (1.018). "Ter o controle dos diretórios zonais não significa ter o controle dos filiados. Mesmo assim, não acho que eles juntos tem a maioria", avalia Mário Covas Neto.

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