Publicado 10 de Setembro de 2015 - 10h19

Por Agência Estado

Prédio da Standard & Poor?s: entre os motivos do rebaixamento está a falta de sintonia do Planalto com Levy

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Prédio da Standard & Poor?s: entre os motivos do rebaixamento está a falta de sintonia do Planalto com Levy

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) reduziu nesta quarta-feira (9) a nota de crédito do Brasil de “BB+” para “BBB-“ com perspectiva negativa - o que significa que há chance de nova revisão para baixo no futuro.

Com a redução, o Brasil perde o grau de investimento conferido a países considerados bons pagadores e seguros para investir. Essa classificação é indispensável para grandes fundos de pensão em todo o mundo, que só podem colocar dinheiro de seus investidores em países ou empresas que possuam o grau de investimento. Na prática, portanto, a perda dessa classificação significará menos dinheiro entrando no Brasil para tocar projetos produtivos - o chamado “dinheiro bom”.

A S&P estima que a contração do econômica do Brasil seja “mais profunda e longa” e que o País enfrente dois anos consecutivos de retração do PIB. Para 2015, a agência projeta recuo de 2,5% e, em 2016, outro 0,5%. A agência acredita que o País somente voltará a crescer, e muito modestamente, em 2017.

A avaliação está no comunicado em que foi anunciada a retirada do grau de investimento do Brasil. “Acreditamos que o perfil de crédito do Brasil enfraqueceu ainda mais desde 28 de julho, quando revisamos a perspectiva do País para negativa.

Naquele momento, sinalizamos riscos maiores de execução para as mudanças políticas corretivas já em andamento, resultantes principalmente das dinâmicas fluidas no Congresso associadas ao alastramento dos efeitos das investigações sobre corrupção na estatal de energia Petrobras. Agora vemos menos convicção, especialmente dentro do gabinete da presidente, sobre a política fiscal”, diz o comunicado.

Orçamento

Para a agência, “a proposta de Orçamento para 2016 apresentada em 31 de agosto incorporou mais uma revisão das metas fiscais do governo em um período extremamente curto de tempo. O Orçamento proposto se baseia em um déficit primário de 0,3% do PIB, ao invés da meta revisada anteriormente de superávit de 0,7% do PIB que havia sido anunciada em julho. Essa mudança reflete divergências internas sobre a composição e a magnitude das medidas necessárias para corrigir a derrapagem nas finanças públicas”.

O relatório também diz que “sem um desempenho inesperadamente melhor, a meta fiscal proposta no Orçamento geraria três anos consecutivos de déficits fiscais primários e uma elevação contínua da dívida líquida geral do governo”.

A nota diz ainda que “temos agora a expectativa de que o déficit geral do governo suba para uma média de 8% do PIB em 2015 e 2016, antes de declinar para 5,9% em 2017, contra os 6,1% de 2014. Não temos a expectativa de um superávit primário em 2015 ou em 2016”. 

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