Publicado 09 de Setembro de 2015 - 9h53

Por Marcelo Rocha

Prejuízo: árvore de grande porte tombou sobre um Palio estacionado na avenida São Paulo, na Pauliceia

Del Rodrigues/ AAN

Prejuízo: árvore de grande porte tombou sobre um Palio estacionado na avenida São Paulo, na Pauliceia

Ruas e avenidas alagadas, semáforos desligados, congestionamentos, dezenas de árvores tombadas, bairros sem energia elétrica, toldos, coberturas, telhados e veículos danificados. Piracicaba ficou caótica com a tromba de água que ontem, por volta das 16h, atingiu vários pontos do município.

Foto: Del Rodrigues/ AAN

Pontos de alagamento foram registrados em vários locais da avenida Armando de Salles Oliveira

Pontos de alagamento foram registrados em vários locais da avenida Armando de Salles Oliveira

De acordo com o Climatempo, o índice pluviométrico registrado foi de 62 milímetros, quase três quartos da média mensal de setembro (que oscila entre 70 e 80 milímetros). A CPFL informou que 73 mil pessoas ficaram sem luz por causa do temporal e dos ventos. A estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), instalada na cidade, registrou rajadas de 77 quilômetros por hora.

A carga d'água que desabou sobre a cidade provocou prejuízos e alagamentos em locais como as avenidas Armando de Salles Oliveira, Saldanha Marinho, Dr. Paulo de Moraes, São Paulo, na Câmara de Vereadores, no Centro Cívico, em postos de gasolina, comércios, na praça José Bonifácio e outros tantos logradouros públicos.

A reportagem da Gazeta percorreu ruas do Centro e de bairros como Paulista, Bairro dos Alemães, Jaraguá, Pauliceia e Paulista e constatou os estragos causados pelo ventania e pelo temporal. E os telefones da redação do matutino receberam várias ligações de munícipes se queixando da falta de energia elétrica em locais como Chácara Nazareth, Campestre, Santa Rita Garças, Dois Córregos, Bairro dos Alemães, Nova Piracicaba e outros. 

Lá pelas 16h15, no cruzamento da rua Santa Cruz com a avenida Saldanha Marinho havia uns 40 centímetros de água. O semáforo estava desligado e pedestres faziam a travessia da via a pé, com os chinelos na mão, enquanto alguns motoristas se arriscavam a ultrapassar a correnteza.

Pouco acima, na mesma Saldanha Marinho, mas nas proximidades do Fórum de Piracicaba, uma árvore caiu e interditou a pista no sentido Centro. Naquele mesmo quarteirão, um posto de combustível teve a estrutura metálica danificada pelos fortes ventos.

“O vento ergueu umas quatro vezes o teto, estou tremendo até agora, foi horrível”, declara o frentista Orlando de Jesus Santos Sena, 26 anos. “Todo mundo correu para um abrigo”, acrescenta o também frentista Lucas Manoel da Silva, 23 anos.

Na rotatória em frente a um dos principais postais da cidade, a Estação da Paulista, um enorme galho com cerca de 12 metros caiu sobre uma das pistas da avenida Dr. Paulo de Moraes.

Perto dali, na avenida 9 de Julho, também havia árvores tombadas, inclusive uma delas oferecendo risco aos pedestres e motoristas que trafegavam na altura do número 1.200. “Esta árvore está energizada (em contato com fios da rede elétrica), ela rachou no meio, está podre por dentro”, afirmou o cabo Augusto, bombeiro que trabalhava no local.

Na avenida São Paulo, uma árvore de grande porte caiu sobre um Palio branco que estava estacionado no lado direito da via, na altura do número 960. O veículo pertence a uma cabeleireira que possui um salão de beleza na frente do local da queda. 

Foto: Del Rodrigues/ Gazeta de Piracicaba

Turistas aproveitaram uma trégua da chuva para contemplar o Rio Piracicaba

Turistas aproveitaram uma trégua da chuva para contemplar o Rio Piracicaba

 

“Nos últimos 10 anos, a gente já solicitou o corte desta árvore um monte de vezes, já havíamos feito várias reclamações à Sedema. Já dava para ver que ele estava condenada, veja como ele está oca”, observa Raphael Maciel, 33 anos, que é locutor de rodeios e marido da cabeleireira. “Vou processar a prefeitura porque não tenho seguro”, diz Maciel.

Árvores caídas: Sedema recebeu 41 ligações

De acordo com a Secretaria de Defesa do Meio Ambiente (Sedema), até as 18h de ontem houve 41 ligações informando a queda de árvores em bairros como Vila Rezende, Nova Piracicaba, Jardim Ibirapuera, Pacaembu, 1º de Maio, Jaraguá, Santa Rita Garça, Água Branca, Castelinho, Morumbi, entre outros.

A Sedema informou que seis equipes com cestos elevatórios e duas com motosserristas foram deslocadas para as áreas afetadas para trabalhar na “desobstrução de ruas e quedas de árvores”. A pasta comunica que áreas residenciais e próximas a hospitas, como a Santa Casa e o Hospital dos Fornecedores de Cana, tiveram a prioridade no atendimento. Nesta quarta-feira, o serviço de recolhimento de galhos vai continuar.

A Defesa Civil de Piracicaba ainda não contabilizou o número de ocorrências, mas antecipou que não houve incidentes graves. “A maioria causou transtornos, como queda de árvores e suspensão da energia elétrica”, declara Carlos Alberto Razano, coordenador da Defesa Civil. A equipe do órgão (oito pessoas) trabalhou ontem até as 22h30 “cortando árvores e desobstruindo o trânsito com a ajuda dos agentes da Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes)”, observa o coordenador. Hoje, os serviços recomeçariam às 7h, informa Razano.

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Marcelo Rocha