Publicado 06 de Setembro de 2015 - 19h04

José Maria Rangel informou que sindicatos de petroleiros de todo o País avaliam o melhor momento para iniciar a paralisação, que poderá ocorrer antes ou mesmo depois da data prevista

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José Maria Rangel informou que sindicatos de petroleiros de todo o País avaliam o melhor momento para iniciar a paralisação, que poderá ocorrer antes ou mesmo depois da data prevista

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) está pronta para iniciar um movimento de greve nas unidades da Petrobras a qualquer momento. Antecipando-se à paralisação, a empresa distribuiu colchões em suas refinarias de todo o País para manter os funcionários dentro das unidades até que a greve termine, segundo o coordenador da federação José Maria Rangel.

O indicativo de greve foi protocolado pela federação na Petrobras, na sexta-feira (4). No documento, a informação é de que a paralisação pode ocorrer a partir do primeiro minuto desta segunda-feira (7). Mas, ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Rangel informou que sindicatos de petroleiros de todo o País avaliam o melhor momento para iniciar a paralisação, que poderá ocorrer antes ou mesmo depois da data prevista.

Rangel afirma que a estatal está se preparando para alojar por tempo indeterminado os empregados que estiverem trabalhando no momento em que a greve for deflagrada e, assim, manter a continuidade da produção de combustíveis.

Em sua página no Facebook, a FUP divulgou foto com a imagem de dezenas de colchões sendo descarregados de um caminhão. De acordo com a federação, a imagem é da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Procurada, a estatal não se pronunciou sobre a informação.

"As plataformas de petróleo são preparadas para que os empregados permaneçam embarcados por um longo período. Mas, nas refinarias, não há essa infraestrutura de alojamento. A Petrobras está forçando a barra para que a produção não seja abalada. Mas isso é ilegal. Vamos denunciar ao Ministério Público", afirmou o sindicalista.

O clima entre a direção da Petrobras e os sindicalistas esquentou nas últimas semanas, depois que a empresa cortou uma série de despesas com pessoal que podem somar US$ 12 bilhões até 2019 - como cursos de qualificação e viagens - e, mais ainda, depois da reunião de quinta-feira em que executivos da área de recursos humanos informaram que as negociações salariais a partir de agora serão fragmentadas por subsidiária, e não ocorrerão mais coletivamente, em todo o grupo Petrobras.

"Além de continuar ignorando a pauta dos trabalhadores, os gestores da Petrobrás decidiram desafiar a categoria, anunciando um novo modelo de negociação, que tem o objetivo claro de enfraquecer a organização sindical", traz texto da FUP publicado no Facebook.

O objetivo da greve prometida pelos petroleiros é o cumprimento de uma pauta de reivindicações com o nome de Pauta Brasil. A principal reivindicação é contra o plano de venda de ativos da empresa, liderado pela equipe de Aldemir Bendine, ex-Banco do Brasil que substituiu Graça Foster na presidência com a missão de reestruturar a companhia.