Publicado 10 de Setembro de 2015 - 21h07

Por France Press

o primeiro-ministro palestino Rami Hamdallah (à esquerda) disse que autorização é um passo no caminho que leva a Palestina ao status de membro de pleno direito das Nações Unidas

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o primeiro-ministro palestino Rami Hamdallah (à esquerda) disse que autorização é um passo no caminho que leva a Palestina ao status de membro de pleno direito das Nações Unidas

A Assembleia-Geral da ONU autorizou a Autoridade Palestina, nesta quinta-feira (10), a hastear sua bandeira na sede da organização, em Nova York, uma vitória diplomática simbólica na intensa campanha pelo reconhecimento do Estado palestino.

A resolução sobre o tema foi aprovada por 119 votos a favor, oito contra, incluindo os de Estados Unidos e de Israel, além de 45 abstenções. O texto permitirá que a bandeira palestina e a do Vaticano - ambos com status de observador não-membro - fiquem ao lado das que representam os 193 Estados-membros.

"É um passo no caminho que leva a Palestina ao status de membro de pleno direito das Nações Unidas", disse o primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah, em uma coletiva de imprensa conjunta em Paris com seu colega francês, Manuel Valls.

Os palestinos se tornaram um "Estado observador não membro" da ONU, após uma votação histórica em 29 de novembro de 2012. Na época, receberam o apoio de 138 países contra nove e foram registradas 41 abstenções.

Há várias semanas, os palestinos buscam reunir "a maior quantidade de votos possíveis", explica seu representante na ONU, Riyad Mansur.

Trata-se de "uma medida simbólica", reconhece. Ele acredita, porém, que "reforçará as bases do Estado palestino", dando aos palestinos uma luz de esperança num momento em que o processo de paz com Israel se encontra estagnado.

Posições opostas

Agora, a ONU terá 20 dias para implementá-la, e a bandeira poderá ser hasteada a tempo para a visita a Nova York do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, em 30 de setembro.

O presidente palestino pronunciará um discurso durante a sessão anual da Assembleia-Geral, que também contará com a presença de seu colega israelense, o premiê Benjamin Netanyahu.

Abbas também participará de uma cúpula sobre crescimento sustentável.

O outro beneficiário dessa resolução é o Vaticano que, embora tenha se desvinculado da iniciativa palestina, não se opôs abertamente. Seu representante na ONU, monsenhor Bernardito C. Auza, declarou aos jornalistas que o Vaticano não tinha "a intenção de hastear a bandeira durante a visita do papa" Francisco em 25 de setembro.

Em junho, o Vaticano reconheceu o "Estado da Palestina", ao assinar um primeiro acordo bilateral com a Autoridade Palestina.

O enviado israelense à ONU, Ron Prosor, expressou de maneira firme sua oposição à iniciativa nesta semana, acusando os palestinos de tentar "ganhar pontos fáceis e insignificantes na ONU".

O embaixador de Israel pediu ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a Sam Kutesa, presidente da Assembleia Geral, para bloquearem o projeto, que vai contra as práticas da ONU de hastear apenas as bandeiras dos Estados-membros.

O Departamento de Estado americano disse considerar contraproducentes os esforços para que um Estado palestino seja reconhecido "por intermédio do sistema das Nações Unidas, fora de um regulamento negociado" com Israel.

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