Publicado 10 de Setembro de 2015 - 16h08

Por France Press

As fotos de Aylan Kurdi, de três anos, afogado com o irmão mais velho, de cinco, e a mãe na semana passada, em frente à costa de Bodrum, obrigaram os países europeus a fazer um parênteses em sua atitude resistente com relação aos migrantes

Nilufer Demir/ AFP

As fotos de Aylan Kurdi, de três anos, afogado com o irmão mais velho, de cinco, e a mãe na semana passada, em frente à costa de Bodrum, obrigaram os países europeus a fazer um parênteses em sua atitude resistente com relação aos migrantes

A determinação de Ali, que espera, impaciente, em um café de Bodrum pela chance de deixar a Turquia, ganhou força após a morte do pequeno Aylan e a reabertura das fronteiras. O objetivo: a UE, agora mais do que nunca.

Após a morte de Aylan, refugiados sonham ainda mais com Europa

"Por enquanto, tento encontrar o melhor atravessador possível, mas todos mentem", conta este engenheiro de telecomunicações sírio, de 31 anos. "Todos te impõem o preço que for e, além disso, dizem que não podem garantir nada".

Após a morte de Aylan, refugiados sonham ainda mais com Europa

Os traficantes com os quais falou pediram até 5.500 euros para embarcar com a mãe e a irmã em um dos frágeis botes infláveis que se dirigem à ilha grega de Kos. Não se trata de dar certa quantidade de dinheiro a qualquer um.

Mas para Ali, o tempo urge. A comoção mundial causada pelo afogamento do menino de três anos em frente a Bodrum entreabriu as portas da União Europeia (UE). E ele tenta cruzá-las seja como for antes de que voltem a se fechar.

"Quero ir embora e não voltar nunca mais. Sei que a partir de agora, teremos mais apoio porque nos dão uma chance", diz, entusiasmado.

As fotos de Aylan Kurdi, o menino de três anos, afogado com o irmão mais velho, de cinco, e a mãe na semana passada, em frente à costa de Bodrum, obrigaram os países europeus a fazer um parênteses em sua atitude resistente com relação aos migrantes.

"Fiquei muito emocionado ao ver na televisão alguns europeus oferecendo-se para nos acolher em suas próprias casas", desabafa o jovem sírio. "Sei que a viagem é perigosa, mas não tenho medo de morrer".

Escrito por:

France Press