Publicado 09 de Setembro de 2015 - 10h33

Por France Press

Menino migrante chora ao chegar à ilha grega de Kos, na Grécia

Angelos Tzortzinis/ AFP

Menino migrante chora ao chegar à ilha grega de Kos, na Grécia

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, pediu nesta quarta-feira aos Estados da UE que recebam 160 mil refugiados e adotem ações "corajosas" para responder à mais grave crise migratória em décadas na Europa e aliviar a pressão nos países fronteiriços do bloco.

"Os números são impressionantes", afirmou Juncker em um discurso na Eurocâmara em Estrasburgo (leste da França), recordando que quase 500.000 refugiados chegaram a países da UE desde o início do ano.

"É o momento de ações corajosas e determinadas para a UE", disse, antes de pedir que o bloco receba 120.000 refugiados além dos 40.000 já solicitados pela Comissão aos países há alguns meses.

O objetivo é ajudar Itália e Grécia, e agora a Hungria, países afetados pela chegada maciça de migrantes, a examinar os pedidos de asilo e recebê-los em seus territórios.

Juncker pediu que depois da distribuição dos 160.000 solicitantes de asilo, a UE instaure "um mecanismo permanente" para que o bloco possa enfrentar um novo fluxo migratório de maneira mais rápida.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que anunciou que seu país está comprometido a receber meio milhão de migrantes por ano, voltou a pedir uma distribuição "obrigatória" na UE, medida que conta com a oposição de vários países do leste do bloco.

Merkel considera que a proposta de Juncker, pela qual a Alemanha oferecerá mais de 31.000 vagas para os demandantes de asilo, constitui "um primeiro passo para uma divisão equitativa".

Alemanha, França e Espanha são os países com maiores cotas na nova proposta da Comissão Europeia.

O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, não citou números, mas afirmou que ficou "reconfortado" ao escutar Juncker, que propôs um fundo fiduciário para os refugiados de 1,8 bilhão de euros.

A maior parte do dinheiro do fundo será destinada aos países de origem dos migrantes, a partir do Fundo para o Desenvolvimento da UE destinado aos países da África, do Caribe e do Pacífico (ACP), que já tem orçamento para o período 2014-2020.

Juncker fez um apelo à União Europeia para que não estabeleça diferença entre os refugiados de acordo com a religião.

"Não há religião, crença, filosofia quando se trata de refugiados", disse.

Na semana passada, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, disse que a chegada de migrantes ameaça as "raízes cristãs" da Europa. Na França, alguns deputados defenderam que o país receba apenas refugiados cristãos.

Ao mesmo tempo, a Alemanha se mostrou "aberta" à possibilidade de uma reunião extraordinária de chefes de Estado e de Governo da União Europeia para abordar a crise migratória.

Alemanha, terra prometida

"Não queremos viver mais em acampamentos na Hungria ou em outro lugar, as condições são horríveis, faz muito frio, tudo está sujo, cheira mal", disse uma jovem síria, nascida em Damasco, que tentava ao lado de outros migrantes forçar a passagem perto da cidade húngara de Roszke, na fronteira com a Sérvia e a 170 km de Budapeste.

Diante dos policiais húngaros, vários migrantes gritavam "Germany, Germany", o país que virou a "terra prometida".

Nesta quarta-feira, um grupo de entre 400 e 500 migrantes rompeu a barreira de isolamento da polícia húngara, que tentava reuni-los em um centro de registro na fronteira com a Sérvia.

A região de Roszke, um dos principais pontos de entrada dos migrantes na Hungria, registrou na terça-feira a chegada de 2.529 novos refugiados, segundo a polícia húngara.

Na ilha de Lesbos, no Mar Egeu, perto da costa da Turquia, outro ponto de acesso à UE, a situação mudou drasticamente nas últimas horas.

As autoridades registraram quase 14.000 refugiados e migrantes que aguardam há vários dias no local e as primeiras viagens para Atenas aconteceram com tranquilidade.

Depois das imagens chocantes do corpo sem vida do menino sírio de três anos Aylan Kurdi em uma praia turca, que comoveram o mundo, e das cenas de desespero dos migrantes, países de todo o mundo começaram a oferecer abrigo.

A Austrália, cujo governo é duramente criticado por sua política migratória restritiva, anunciou que receberá 12.000 refugiados sírios ou iraquianos. Vários países latino-americanos também anunciaram medidas.

De acordo com o relatório mais recente da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mais de 380.000 migrantes e refugiados chegaram à Europa pelo Mediterrâneo desde janeiro e 2.850 morreram na travessia ou foram reportados como desaparecidos. 

A seguir a distribuição proposta pela Comissão:

Alemanha 31.443

Áustria 3.640

Bélgica 4.564

Bulgária 1.600

Chipre 274

Croácia 1.064

Eslováquia 1.502

Eslovênia 631

Espanha 14.931

Estônia 373

Finlândia 2.398

França 24.031

Letônia 526

Lituânia 780

Luxemburgo 440

Malta 133

Holanda 7.214

Polônia 9.287

Portugal 3.074

República Tcheca 2.978

Romênia 4.646

Suécia 4.469

TOTAL 120.000

Grã-Bretanha, Irlanda e Dinamarca não aparecem na lista por conta da opção que permite a estes países não participar nesta política comunitária.

Escrito por:

France Press