Publicado 08 de Setembro de 2015 - 21h44

Por France Press

A Arábia Saudita e seus aliados árabes iniciaram uma operação no Iêmen para impedir que os huthis assumam o controle de todo o país, depois da ofensiva lançada pelo grupo em 2014

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A Arábia Saudita e seus aliados árabes iniciaram uma operação no Iêmen para impedir que os huthis assumam o controle de todo o país, depois da ofensiva lançada pelo grupo em 2014

Ao menos 31 pessoas morreram, nesta terça-feira (8), em ataques aéreos da coalizão árabe sob comando saudita contra o Iêmen, especialmente na capital, Sanaa, nas mãos dos rebeldes xiitas huthis - relataram fontes médicas.

Na parte da manhã, potentes explosões sacudiram o centro de Sanaa, de acordo com jornalistas da AFP. Ao menos sete "civis" e três guarda-costas do oficial rebelde Khaled Anduli morreram, informaram fontes médicas.

Controlado pelos rebeldes, o site sabanews.net fala em 15 mortos e 77 feridos. Faz um ano que os rebeldes tomaram Sanaa.

Várias testemunhas afirmaram que a Academia de Polícia foi um dos alvos dos bombardeios na capital.

Desde que um míssil matou 60 soldados da coalizão árabe-sunita na província de Marib, ao leste de Sanaa, na última sexta-feira (4), os ataques aéreos contra as posições rebeldes na região da capital não dão trégua.

Além da Academia de Polícia, os ataques desta terça atingiram o quartel-general do Serviço de Segurança Central, afirmaram testemunhas.

Durante a noite, 21 rebeldes morreram em uma série de ataques contra a cidade de Bayhan.

A Arábia Saudita e seus aliados árabes iniciaram uma operação no Iêmen para impedir que os huthis assumam o controle de todo o país, depois da ofensiva lançada pelo grupo em 2014.

Com o apoio da coalizão, as forças governamentais retomaram desde julho o controle de cinco províncias do sul. Agora, concentram suas tropas na província de Marib para tentar reconquistar Sanaa, mais ao oeste.

Nova fase

De acordo com especialistas consultados pela AFP, a guerra do Iêmen entra em uma nova fase, potencialmente decisiva, com o envio de forças para o terreno por parte da coalizão árabe para lutar contra os rebeldes xiitas que controlam a capital e o norte do país.

Cinco meses depois do início dos bombardeios da coalizão árabe, "o Iêmen está entrando em uma nova etapa mais letal da violência no norte", avaliou a analista April Longley Alley, do International Crisis Group.

"Os dois lados estão se preparando para um choque maior no norte e, especialmente, em Sanaa", acrescentou Alley.

Desde segunda-feira (7) à noite, os aviões da coalizão bombardeiam Sanaa como parte dessa ofensiva.

O ataque à base em Marib foi um "ponto de inflexão", disse o professor convidado no King's College de Londres e consultor Andreas Krieg, que trabalha com as forças do Catar.

Agora, a coalizão "prepara um maior envio de tropas ao terreno" para apoiar as forças locais, que foram treinadas e equipadas nos últimos seis meses, acrescentou o especialista.

Nesta terça, o Catar confirmou que mil soldados estão na fronteira com a Arábia Saudita "prontos para combater".

Fontes militares iemenitas informaram que cerca de mil soldados sauditas também estão no terreno.

Krieg estima que há pouco mais de 5 mil homens da coalizão no terreno, mas que não se sabe o número exato. Segundo ele, há muitas forças especiais mobilizadas na área.

Para o analista, a coalizão avançou no terreno até agora, porque operou em um território onde não havia resistência.

"Sanaa e as províncias do norte vão ser territórios muitos hostis, portanto, é muito difícil prever como serão as operações a partir de agora", completou.

Dias difíceis para a coalizão

April Alley antecipa que os aliados terão dias difíceis pela frente.

"A batalha pelo norte do Iêmen se apresenta como longa e sangrenta, o que vai piorar uma crise humanitária que já é crítica", acrescentou.

Segundo as Nações Unidas, 80% da empobrecida população do Iêmen precisa de ajuda. O conflito nesse país pobre da península arábica já deixou quase 4.400 mortos e 1,3 milhão de deslocados desde março, de acordo com a ONU.

"Uma vitória total sobre os huthis no norte vai ser difícil, mas não impossível", considerou Alley, lembrando que é necessário um acordo entre os rebeldes e o governo, para que os insurgentes possam entrar no sistema político. 

Para o especialista em geopolítica árabe Mathieu Guidere, da Universidade de Toulouse, uma solução negociada parece improvável.

"Uma negociação política vai-se implementar apenas depois de uma vitória militar de um dos dois lados", comentou.

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