Publicado 07 de Setembro de 2015 - 10h23

Por France Press

A Alemanha anunciou nesta segunda-feira que vai destinar seis bilhões de euros para administrar o grande fluxo de migrantes, enquanto a França se comprometeu a receber 24.000 refugiados, em uma Europa que se esforça para resolver a mais grave crise migratória em décadas.

"O que vivemos agora é algo que seguirá nos ocupando pelos próximos anos, nos mudará, e queremos que a mudança seja positiva e pensamos que podemos conseguir isto", declarou a chanceler alemã Angela Merkel.

Ao mesmo tempo, o presidente francês, François Hollande, anunciou que o país receberá 24 mil refugiados nos próximos dois anos, do total de 120.000 que a Comissão Europeia deseja abrigar no continente.

A Comissão vai propor na quarta-feira ao Parlamento Europeu a distribuição dos 120.000 refugiados nos próximos dois anos. A medida será adicionada à recepção de outros 40.000 migrantes anunciada em maio, que afetava apenas as pessoas que estavam na Itália e na Grécia.

A Comissão Europeia proporá a França, Alemanha e Espanha que recebam 71.305 solicitantes de asilo que entraram em países do bloco.

O organismo pedirá que a Alemanha receba 31.443 solicitantes de asilo que chegaram à Itália, Grécia e Hungria, ou seja 26,2%, a França 24.931 (20%) e a Espanha 14.931 (12,4%).

Desta forma, os três países receberão a maior parte dos refugiados. Mas a dimensão do problema é muito maior, pois a Alemanha espera receber 800.000 pedidos de asilo este ano, quatro vezes mas que no ano passado.

Assim, Merkel fez um apelo por um "esforço da União Europeia".

"Alemanha, Áustria e Suécia não podem ser os únicos países que recebem refugiados", insistiu o vice-chanceler e ministro da Economia da Alemanha, o social-democrata Sigmar Gabriel.

Hollande propôs organizar em Paris uma conferência internacional sobre a crise de imigração na Europa, no momento em que vários países do leste do continente não desejam participar no esforço conjunto.

Fluxo incessante

O fluxo de migrantes não para de aumentar, em especial desde que Berlim decidiu não reenviar os sírios ao país pelo qual entraram na Europa.

Na manhã desta segunda-feira, um primeiro trem procedente de Salzburgo (Áustria), com 150 refugiados a bordo era esperado em Munique (sul da Alemanha).

A imprensa aponta que será muito difícil fazer um prognóstico sobre o número de migrantes que podem chegar ao país. Alguns jornais citaram a possibilidade de 10.000 pessoas apenas nesta segunda-feira.

Merkel mencionou nesta segunda-feira um fim de semana "emocionante e impactante", durante o qual chegaram a Alemanha quase 20.000 refugiados procedentes em sua maioria da Síria.

A chanceler comemorou o fato de a Alemanha "ter se transformado em um país que as pessoas associam à esperança. É algo muito valioso se observarmos nossa história".

Centenas de voluntários se reuniram nas estações ferroviárias da Alemanha para entregar água e comida aos refugiados, com cartazes com a frase "Refugees welcome!" ("Bem-vindos refugiados").

Também no Mediterrâneo continuam as chegadas de centenas de pessoas às ilhas gregas, procedentes da costa da Turquia.

No total, 2.600 refugiados e migrantes foram resgatados no mar pela Guarda Costeira da Grécia entre sexta-feira e segunda-feira, na primeira etapa de uma viagem até a Europa ocidental para dezenas de milhares de refugiados que entram no continente pela Turquia.

O primeiro-ministro turco Ahmed Davutoglu criticou o "ridículo" número de refugiados autorizados a entrar na União Europeia (UE), que definiu como uma "fortaleza cristã", quando a Turquia recebe mais de dois milhões de pessoas que fugiram das guerras na Síria e no Iraque.

Em uma entrevista, o ministro do Interior da Espanha, Jorge Fernández Díaz, defendeu o aumento das medidas de controle dos solicitantes de asilo procedentes da Síria, ante o temor de infiltração de membros do grupo Estado Islâmico (EI).

"A Espanha não vai negar o direito de asilo a ninguém", afirmou o ministro ao jornal conservador ABC.

"Mas temos que aumentar também os controles na hora de receber estas pessoas".

"A imensa maioria é de refugiados que fogem da guerra, do terror, mas não podemos esquecer que também existe o Daesh (o grupo Estado Islâmico), estes bárbaros que demonstraram que são capazes de cumprir suas ameaças", disse.

"Que dúvida existe de que, entre estas avalanches, podem infiltrar-se pessoas que não são refugiados", afirmou, antes de completar "E, além disso, é evidente que estas pessoas estão fugindo sobretudo da Síria, e ali o Daesh está implantado".

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