Publicado 04 de Setembro de 2015 - 10h37

Por France Press

A Venezuela abriu nesta sexta-feira (4) a fronteira com a Colômbia para permitir que crianças que interromperam seus estudos pelo fechamento parcial da zona limítrofe possam voltar às aulas, apesar da crise bilateral, informou o governo colombiano.

"Boas notícias! Habilitado o corredor humanitário na fronteira para que as crianças voltem às aulas", informou pelo Twitter a pasta de Educação na Colômbia.

Permitir a passagem dos menores foi uma das condições que o presidente Juan Manuel Santos impôs na quinta-feira para se reunir com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, com o objetivo de solucionar a crise fronteiriça que tensiona as relações bilaterais há três semanas.

"É um grande passo, os dois presidentes terão que conversar. Todos os que vivem na fronteira esperam por isso", afirmou em entrevista à Blu Radio Alejandro García, prefeito do município venezuelano de Ureña, limítrofe com o colombiano de Cúcuta.

Assim, pela ponte internacional Simón Bolívar - fechada por ordem de Maduro - é esperada a passagem de entre 1.000 e 1.500 crianças que, residindo na Venezuela, estudavam na Colômbia, acrescentou García.

Para sustentar um diálogo com Maduro, Santos também pediu a permissão de entrada de 15 caminhões em território venezuelano para que os cerca de 1.300 deportados colombianos possam recuperar seus pertences, assim como o respeito dos "protocolos mínimos" para a expulsão destas pessoas de seu território.

Se estas "condições mínimas humanitárias forem cumpridas, eu me sento para resolver este problema", disse na quinta-feira o chefe de Estado colombiano.

A crise começou em 19 de agosto com o fechamento de parte da fronteira decretado por Maduro no estado de Táchira, limítrofe com o departamento colombiano de Norte de Santander, após um ataque a militares venezuelanos durante uma operação anticontrabando, que o presidente atribuiu a paramilitares colombianos.

A tensão aumentou há uma semana, quando os dois países chamaram para consultas seus embaixadores em meio a denúncias de violações dos direitos humanos dos prejudicados, que somam mais de 11.000 entre os que foram deportados e os que fugiram da Venezuela por medo.

Os dois países compartilham uma porosa fronteira de 2.219 km, na qual denunciam a atividade de grupos irregulares que lucram com o contrabando de combustível e outros produtos altamente subsidiados pelo governo venezuelano.

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