Publicado 02 de Setembro de 2015 - 21h03

Por France Press

O garoto morreu após cair de uma das duas embarcações que seguia rumo à ilha grega de Kos

Divulgação

O garoto morreu após cair de uma das duas embarcações que seguia rumo à ilha grega de Kos

A foto de um menino afogado em uma praia da Turquia após o naufrágio de duas embarcações com refugiados sírios gerou comoção na Europa, confrontada a uma pressão crescente para gerenciar a chegada de milhares de refugiados.

As duas embarcações que naufragaram tinham saído da cidade turca de Bodrum com destino à ilha grega de Kos, porta de entrada da União Europeia. No naufrágio morreram cinco crianças e sete adultos. Quinze pessoas foram salvas resgatadas.

A fotografia do menino afogado foi difundida por meios de comunicação e pelas redes sociais e causaram comoção. “O bote que levava o menino e sua família era para quatro pessoas, mas havia 15 a bordo”, disse um dos socorristas.

O garoto morreu após cair de uma das duas embarcações que seguia rumo à ilha grega de KosSegundo a imprensa turca, o menino da foto se chamava Aylan Kurdi e tinha três anos. Na Europa, jornais de todo o Continente repercutiram a comoção provocada pela imagem, que estampou a primeira página de vários deles, da Espanha à Inglaterra.

“Se imagens tão fortes quanto a de um menino sírio morto, arrastado pelas ondas, não mudarem a atitude da Europa frente aos refugiados, o que poderá fazê-lo?”, questionou o britânico “The Independent”.

O diretor do serviço de emergências da ONG Human Rights Watch, Peter Bouckaert, decidiu compartilhar a imagem no Twitter, apesar do impacto que ela causa. “Alguns dizem que a foto é muito ofensiva para ser compartilhada ou publicada nos jornais. Mas para mim, ofensivo é uma criança afogada na praia, quando poderíamos ter feito muito mais para evitar a sua morte”.

Enquanto isso, cerca de 4.500 pessoas chegaram ontem ao porto de Pireu, em Atenas, com o objetivo de continuar seu périplo rumo ao norte da Europa, em um novo episódio da grave crise migratória que divide os países europeus. Outros 3.000 foram resgatados pela guarda costeira italiana no Mediterrâneo nas últimas 24 horas.

Lesbos, assim como Kos, também no Egeu, se tornaram o porto de entrada na Europa de refugiados que fogem através da Turquia dos conflitos armados no Oriente Médio e na África. A maioria quer continuar viagem para o norte da Europa através dos Bálcãs.

Desde o começo do ano, chegaram à Grécia 160.000 pessoas do total de cerca de 350.000 que, segundo se estima, teriam cruzado o Mediterrâneo, uma rota na qual morreram dois mil imigrantes.

Enquanto isso, na Hungria, um dos países de entrada para os migrantes que querem chegar à Alemanha, a tensão continua crescendo e duas mil pessoas permaneciam acampadas em frente à estação de Keleti, em Budapeste, depois que a polícia os impediu de embarcar nos trens.

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