Publicado 11 de Setembro de 2015 - 15h22

O policial Rogério Diniz

Cedoc/ RAC

O policial Rogério Diniz

A Corregedoria da Polícia Civil de Campinas prendeu, na tarde desta sexta-feira, o ex-policial civil Rogério Luis Salum Diniz (4º Distrito Policial). Diniz e o também ex-policial Eudes Trevisan (Delegacia Antisequestro de Campinas) foram condenados em 2006 pelo sequestro de um empresário em 2001. Ambos faziam parte da quadrilha do sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima (Andinho), que aterrorizou Campinas no início dos anos 2000 e foi apontado como o responsável pelo assassinato do prefeito Antonio da Costa Santos, em 10 de setembro de 2001. 

Trevisan está preso desde outubro de 2013 pelo crime, mas Diniz, que havia recorrido da decisão, aguardava o julgamento da ação em liberdade. Ele passará por exame no Instituto Médico Legal (IML) de Campinas e depois será encaminhado para o Presídio Especial da Polícia Civil em São Paulo. Apesar de terem sido exonerados em 2003, ambos têm direito a prisão especial porque cometeram os crimes na época em que ainda eram policiais. 

De acordo com a Corregedoria, Diniz foi preso na Avenida Moraes Salles, quando caminhava em direção ao seu comércio, que fica na via. O mandado de prisão condenatória foi expedido pela 3ª Vara Criminal de Campinas, onde o processo corria.  

O ex-policial civil Rogério Luis Salum Diniz

O ex-policial civil Rogério Luis Salum Diniz (à dir., de blusa verde)

Créditos: Alenita Ramirez/ AAN

A condenação da dupla em primeira instância aconteceu em outubro de 2006, mas eles respondiam ao processo liberdade até o julgamento de recursos. Antes disso, ambos ficaram presos por cerca de dois anos no presídio da Polícia Civil e foram libertados em 2003 por força de um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. 

Os dois foram expulsos da Polícia Civil em 2003 após dois processos administrativos por terem sido flagrados em gravações autorizadas pela Justiça passando informações da polícia para a quadrilha de Andinho. 

Segundo a Justiça, a quadrilha de Andinho teria feito 19 sequestros na região de Campinas num período de dois anos. Andinho, que assumiu a autoria dos sequestros, sempre negou a sua participação no homicídio do prefeito.

Caso Caraguá

Diniz e Trevisan foram dois dos sete denunciados pela chacina de quatro homens, entre eles dois sequestradores da quadrilha de Andinho, em um condomínio de Caraguatatuba, em outubro de 2001. Outros cinco policiais e carcereiros (Marcos Antônio Manfrim; Alcir Biazon Júnior; Nelson da Costa; Fábio Nunes de Arruda Campos e Sandro José da Costa) teriam participado da chacina. 

De acordo com as investigações, os policiais invadiram o condomínio Maré Mansa II e mataram quatro rapazes que teoricamente estariam envolvidos no assassinato do prefeito Toninho. Entre os mortos estavam os sequestradores Anderson Bastos e Valmir Conti e Alessandro Renato Pereira de Carvalho e Fabio Soares Menengroni, ambos sem antecedentes criminais.

Na denúncia feita na 2ª Vara Criminal do Fórum de Caraguatatuba, os cinco promotores sustentam que as investigações apontam para execução previamente ajustada e também para a adulteração da cena do crime. Ainda de acordo com os promotores, tanto os policiais como os ex-policiais, agiram por “motivo torpe”. 

As investigações apontaram que Trevisan e Diniz teria participado da ação motivados por desavenças com os criminosos, enquanto o restante dos policiais e carcereiros agiram como um grupo de extermínio. 

Os promotores sustentam ainda que os policiais “utilizaram-se de recurso que dificultou a defesa das vítimas, alvejando- as principalmente na cabeça enquanto estavam deitadas, dormindo”.

Diniz e Trevisan localizaram Anso e Valmir pela análise dos telefonemas que grampearam, fornecendo as informações para que eles fossem pegos de surpresa na ação dos policiais. 

Para assegurar a ocultação dos homicídios praticados, os réus, ainda segundo o MP, eliminaram Alessandro e Fábio, que poderiam ser testemunhas, e agiram de surpresa. 

Os processados também alteraram o local do crime para induzir a erro o juiz e o perito que viessem a atuar na apuração do caso”.  Laudos da exumação dos corpos realizada em Campinas em outubro de 2004 e levantamentos do local feitos na época do crime, na Rua Paulo da Silva Porto, número 811, casa 10, bairro Prainha, comprovariam essa tese.

Os policiais teriam realizado “disparos em sentido contrário, de dentro para fora do quarto, com o único propósito de construir uma tese de legítima defesa para justificar sua ação criminosa, na verdade, uma sumária execução”. 

As informações são da repórter Alenita Ramirez/AAN

O ex-policial civil Rogério Luis Salum Diniz

O ex-policial civil Rogério Luis Salum Diniz

O ex-policial civil Rogério Luis Salum Diniz