Publicado 10 de Setembro de 2015 - 21h57

Por Sheila Vieira

A valorização provocou aumento de remessas da moeda para o Exterior

Janaína Ribeiro/ Especial para a ANN

A valorização provocou aumento de remessas da moeda para o Exterior

O rebaixamento do Brasil teve efeito imediato no câmbio e provou um aumento recorde do dólar, que na manhã desta quinta-feira (10) chegou a ser vendido por R$ 4,10 em algumas casas de câmbio da cidade.

No Gramado Mall o movimento foi intenso para compra no Senhor Moeda, correspondente cambial que comercializou o dólar a R$ 4,00. Segundo os operadores, a alta estava prevista desde o começo do mês passado e é considerada a maior dos últimos oito anos. A valorização também provocou aumento de remessas da moeda para o Exterior.

A consequência direta para o consumidor é o enfraquecimento do poder de compra em mais de 30% do real frente ao dólar em relação ao início do ano, quando a moeda era comercializada a R$ 3,10. Ou seja, se com R$ 10 mil era possível comprar US$ 3 mil dólares, hoje esse mesmo valor compra US$ 2,5 mil. Já quem comprou a moeda no início do ano por R$ 3,00 agora consegue vendê-la a R$ 3,70, o que significa um lucro de R$ 3,5 mil para cada US$ 5 mil dólares comercializados.

“Comprar dólar momentaneamente é um negócio de lucratividade razoável. E a tendência é de alta até o final do ano”, apontou Laerte Martins, economista da Acic. Mas ele alerta que além de não ser um investimento previsto pela legislação, só é viável para quem tem reservas disponíveis para fazer um investimento de curto prazo e de altíssimo risco.

A alta de 1% no dólar logo após o anuncio de aumento do risco Brasil é vista pelo docente do Instituto de Economia da Unicamp, André Biancarelli, como algo previsto pelo mercado e que não se tratou de uma grande alteração. Segundo ele, o dólar vinha em uma escalada e passou de R$ 2,20 em agosto do ano passado para R$ 3,80 em setembro no câmbio oficial, uma valorização de 60%. “O fato é que o dólar já estava caro. Pode até piorar mas, por enquanto, está dentro do previsto pelo mercado”, afirmou.

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Sheila Vieira