Publicado 10 de Setembro de 2015 - 20h53

Por Alenita Ramirez

A Prefeitura mobilizou 150 trabalhadores da Secretaria de Serviços Públicos, além de toda a estrutura das administrações regionais (ARs) e subprefeituras para a limpeza e organização da cidade

Alenita Ramirez/ AAN

A Prefeitura mobilizou 150 trabalhadores da Secretaria de Serviços Públicos, além de toda a estrutura das administrações regionais (ARs) e subprefeituras para a limpeza e organização da cidade

Cerca de 30 imóveis, inclusive um prédio residencial, em Campinas, ficaram às escuras desde as 18h da última terça-feira (8) quando ocorreu o forte temporal que derrubou árvores, destelhou barracões e deixou milhares de consumidores sem energia elétrica na região, até por volta das 15h desta quinta-feira.

Nas 45 horas que ficaram sem energia, moradores e comerciantes de um quarteirão da Avenida José Pancetti, com Rua Egydio Bulgarelli, na Vila Proost Souza, tiveram que recorrer a vela para iluminar a casa, banho de canequinha, e a um quiosque de lanches localizado em uma praça do outro lado da calçada para carregar a bateria do celular. Além disso, a maioria perdeu carnes, frios e gelados. Segundo a CPFL Paulista, até as 16h desta quinta-feira, ao menos 8,9 mil consumidores na região, sendo 2 mil em Campinas, continuavam sem energia elétrica.

Na Avenida José Pancetti, um empório de produtos naturais teve uma perda de cerca de R$ 1,5 mil em sorvetes, sucos e tortas. Além disso, o local deixou de atender vários clientes pois a máquina de cartão não funciona em energia elétrica. “Só vendas a vista e o movimento caiu”, desabafou uma vendedora de 19 anos. “Cansei de ligar na CPFL. Agora, o 0800 da companhia nem atende mais, só musiquinha”, completou.

Uma mecânica na mesma via está com carros “presos” no elevador. Um Citröen C3 está pronto desde quarta-feira (9), mas a entrega não pode ser feita porque o veículo está no elevador. Um outro carro não pode ser consertado porque o equipamento parou na metade e os mecânicos não conseguem mexer na parte de baixo. “Estou em falta com os meus clientes. Tinha que entregar um dos carros e ainda nem mexi nele. Sem contar que não pude pegar mais carros porque não tenho como trabalhar sem energia elétrica”, disse o mecânico Murilo Caumo da Fonseca, de 26 anos.

O técnico em eletrodoméstico Alexandre Smidi, de 44 anos, está há três dias sem trabalhar. Ele depende do telefone e da energia para fazer os contatos com os clientes. “Trabalho em casa e como minha casa ficou ilhada não consigo pegar serviços”, comentou.

Com a forte ventania da terça-feira uma árvore localizada no lado oposto da via foi derrubada. Com o peso, ela puxou a fiação e o poste por pouco caiu. A distribuição de energia elétrica foi restabelecida na madrugada da quarta-feira para os demais moradores do bairro, mas para as casas e comércios do outro lado da via ficaram na escuridão. “Ligamos todo o tempo para a CPFL e em todas as ligações eram feitas promessas de retorno, mas até agora nada. Essa situação não pode se estender mais”, desabafou Smidi.

Para dar uma força aos vizinhos, o casal de comerciantes José Benedito de Moraes, de 59 anos, e Regina Lopes, de 54 anos, que tem um quiosque de lanches na praça que corta a Rua Egydio Bulgarelli, deixou o pessoal carregar a bateria do celular no local. Anteontem, ao menos 10 vizinhos levaram os aparelhos. “Temos cinco tomadas e teve gente que precisou esperar um pouco. Alguns deixavam carregar por uns 15 minutos e pegavam o celular”, disse Moraes. “A gente tem que ajudar”, frisou Regina.

CPFL

Em nota, A CPFL Paulista informou que tem ciência dos casos de falta de energia e o trabalho de recuperação do sistema elétrico seguirá, com todas as equipes mobilizadas até o completo restabelecimento do serviço. Em alguns locais de difícil acesso, como redes rurais, onde ocorreram problemas com quedas de árvores ou alagamento o atendimento está encontrando mais dificuldades. A previsão é que grande parte desses clientes seja restabelecida o mais breve possível.

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