Publicado 09 de Setembro de 2015 - 9h52

Família síria tenta se restabelecer em Campinas após fugir da guerra em seu País

Dominique Torquato/ AAN

Família síria tenta se restabelecer em Campinas após fugir da guerra em seu País

A imagem do menino sírio Aylan Kurdi, de 3 anos, morto em uma praia na Turquia, chocou e mobilizou o mundo para a causa dos refugiados que buscam escapar de uma guerra sangrenta em seu país e sobreviver. Mas, a milhares de quilômetros daquelas tristes areias, em Campinas, outra criança enfrenta com sua família o mesmo desafio. O pequeno Diego Issa Alturk, de 11 meses, vive com os pais e mais cinco outros sírios em um pequeno apartamento praticamente vazio no Centro. Todos ali estão desempregados e, até a próxima semana, se não tiverem dinheiro para pagar o aluguel, terão que deixar o único teto que têm e cair na incerteza.

"O Brasil é um país bonito e as pessoas são muito boas, mas nós estamos sofrendo com a falta de trabalho. O custo de vida é muito alto também. Nossa situação está difícil", lamenta o pai do garoto, Issa Alturk, que procura uma chance como ajudante de cozinheiro. "Espero o melhor para o meu filho, mas não sei se conseguiremos ficar por aqui", afirma ele, insistindo na necessidade de todos ali precisarem muito de um emprego, qualquer que seja.

A mãe, Roula Barbar, chegou grávida de oito meses a Campinas. Desesperados para fugir da Síria e sem falar uma palavra em português até então, ela e o marido venderam até as alianças de casamento para conseguir comprar as passagens para o Brasil. Foram mais de 20 horas de voo e um grande risco da criança no ventre sofrer as consequências dessa longa jornada motivada pela esperança por algo melhor.

O menino Diego nasceu campineiro, graças à solidariedade sem tamanho de médicos e funcionários do Hospital Vera Cruz. Todo o procedimento do parto foi realizado de graça. Os profissionais cederam seu tempo e conhecimento para ajudar o casal estrangeiro.

Os sírios lamentam a trágica morte de Aylan, mas também pedem socorro para sobreviver. “Falamos com nossos parentes na Síria. Eles não têm eletricidade, água ou remédios. Há apenas morte, destruição e terrorismo”, conta Issa, que não deseja voltar para esse cenário. O grupo busca o mais rápido possível qualquer tipo de trabalho ou oportunidade; uma chance que pode salvar suas vidas e garantir a permanência na região.

Críticas

Ainda na região central de Campinas, o palestino Ghassan Abdallatif, que tem cerca de uma década de Brasil, mostra uma visão um pouco mais crítica em relação à foto do menino sírio. “O mundo sente quando a inocência morre. Mas, por que esperar ver uma criança morta para se mobilizar? Por que esperar esse último momento para chorar? Por que a gente não pensa em proteger aquela criança desde o primeiro momento em que ela sentiu o perigo? Ela morreu e não vai ser a primeira e nem a última. Existem milhares ainda que perderam suas famílias, que estão com graves problemas psicológicos”, diz ele, mencionando que o conflito na Síria já dura quatro anos. “Ok, algumas crianças atravessaram o mar, superaram os riscos e sobreviveram. Mas, que vida elas vão ter a partir de agora?”, questiona Abdallatif.

Em Campinas, depois de vencer os obstáculos de uma fuga e nascer brasileiro, o pequeno Diego e sua família também esperam por uma chance de viver em paz.

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