Publicado 07 de Setembro de 2015 - 10h51

Por Maria Teresa Costa

Prefeitura detém 99,99% do controle acionário da empresa: Conselho de Administração já deu sinal verde

Cedoc/ RAC

Prefeitura detém 99,99% do controle acionário da empresa: Conselho de Administração já deu sinal verde

A Agência das Bacias PCJ vai contratar um amplo estudo de alternativa de abastecimento com água de reúso para os 69 municípios das bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari, Jundiaí.

O contrato, no valor de R$ 758 mil, será assinado na próxima quinta-feira (10), com o Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra) da Universidade de São Paulo (USP) — o estudo vai estabelecer os parâmetros da água do esgoto tratado para atingir a qualidade exigida para cada tipo de uso.

Esse trabalho será financiado com os recursos da cobrança pelo uso da água pagos pelas empresas de saneamento, indústrias e agricultura pela captação nos rios nas bacias.

A água de reúso é uma das alternativas avaliadas para reforçar o abastecimento regional no enfrentamento da crise hídrica. Inicialmente, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) iria fazer a contratação para embasar seus projetos de utilização do esgoto tratado no abastecimento de Campinas, mas como a alternativa é de interesse de toda a região, a Agência PCJ assumiu o projeto.

A Sanasa pretende levar o esgoto tratado na Estação Produtora de Água de Reúso (Epar) a uma estação de tratamento de água que será construída ao lado, tratar a água para atingir as qualidades exigidas por lei e depois distribuír à população. Os estudos encomendados irão definir a melhor forma de fazer isso e os parâmetros de tratamento para que a água tenha a qualidade exigida por lei.

O tratamento do esgoto feito pela Sanasa produz, segundo a empresa, uma água com 99% de pureza — membranas ultrafiltrantes são usadas no tratamento de efluentes. São fibras ocas com porosidade nominal de 0,04µm (micras), milhares de vezes menores que o diâmetro de um fio de cabelo.

Essa tecnologia, importada da Hungria, permite a remoção de vírus, bactérias, sólidos e nutrientes, deixando a água com 99% de pureza para reúso industrial. A operação é totalmente automática e com baixo consumo de produtos químicos.

Como esse tratamento retira tudo da água, inclusive os minerais, será preciso ter um reservatório para fazer o balanceamento químico, que poderá ocorrer com a mistura da água de reúso e água potável e a adição de produtos químicos. É um processo mais econômico de abastecimento porque o custo de uma rede de água representa dois terços do custo total de abastecimento.

A Sanasa planeja usar a água de reúso para fins potáveis como mais um manancial de abastecimento da cidade, que hoje depende exclusivamente da água que passa nos rios Atibaia e que abastece 95% de Campinas, e Capivari, responsável pelo fornecimento para 5% da cidade.

O aspecto mais preocupante que vem sendo debatido pelos órgãos de saneamento, é a regulação da água de reúso que impede, por exemplo, que a água do esgoto tratado seja levada diretamente para uma estação de tratamento de água para depois ser distribuída à população.

O que a lei estabelece é que a água do esgoto tratado seja primeiramente descarregada em um corpo hídrico — rio, lago, reservatório — para se misturar a água do manancial e depois ser captada e tratada.

São Paulo vai usar água de reúso para abastecimento, descarregando 1m3/s do esgoto tratado na estação de Barueri no reservatório de Cotia.

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Maria Teresa Costa