Publicado 05 de Setembro de 2015 - 19h44

Por Adriana Leite

Rodrigo Amuchastegui, da Evolucional: empresa criou um sistema que avalia desempenho de estudantes

Dominique Torquato/ AAN

Rodrigo Amuchastegui, da Evolucional: empresa criou um sistema que avalia desempenho de estudantes

São Paulo é o Estado brasileiro que mais concentra startups no País. Estudo da Associação Brasileira de Startups aponta que o Estado tem mais de mil empresas associadas à entidade.

A Capital ocupa o primeiro posto na lista estadual, com mais de 500 empresas - Campinas vem em seguida, com 57. E nem mesmo a crise freia o ímpeto de crescimento das empresas de tecnologia.

As startups e as grandes companhias do setor surfam uma onda bem mais alta do que a marola geral da economia brasileira, e muitas companhias de base tecnológica instaladas em Campinas e região projetam mais de 50% de crescimento em relação a 2014.

Com produtos inovadores e que atendem às necessidades de corte de custos e eficiência impostas pela crise econômica, elas encontram nichos que impulsionam as vendas.

Agora, se a opção for apostar no comércio exterior, aí então a coisa fica melhor ainda: as exportações de produtos e serviços estão aquecidos e muito mais rentáveis com a alta do dólar.

Números de empresas de Campinas corroboram o cenário positivo do segmento. Uma delas, a CI&T, fechou o primeiro semestre deste ano com crescimento de 46% em relação a 2014. O faturamento até o final de 2015 deve atingir R$ 330 milhões - e ela já projeta para o próximo ano superar os R$ 400 milhões.

O grupo, especializado em soluções digitais, tem operações na América do Norte, América Latina, Europa e Ásia. O diretor de Inovação da CI&T, Leonardo Mattiazzi, confirma que as receitas das empresas do setor crescem no Brasil e também no Exterior.

“No País, a crise econômica abre oportunidades de negócios porque as companhias buscam soluções tecnológicas que reduzam custos e tornem mais eficiente a gestão. E temos um portfólio com soluções para atender essas necessidades”, diz.

Ele comenta que a recuperação da economia americana acelera os negócios fora do País. “A elevação do dólar é um fator importante, mas o bom retorno das exportações hoje é fruto de uma aposta da empresa em 2006. A internacionalização foi fundamental para o crescimento da CI&T”.

Mattiazzi afirma que Campinas é um importante polo de inovação que fomenta o surgimento de startups.

“A vocação tecnológica de Campinas e região contribui para o nascimento de muitas empresas de alta tecnologia”, destaca.

Evolucional: dois anos entre o nascimento e o sucesso

Com apenas dois anos de vida, a Evolucional é uma startup que atua na área de educação. Seu sócio-diretor, Rodrigo Amuchastegui, conta que o sistema oferece uma tecnologia que permite avaliar o desempenho dos estudantes em simulados para o Exame Nacional de Ensino Médio(Enem).

“Desenvolvemos uma plataforma que é disponibilizada para as escolas e que fornece um verdadeiro raio-X do desempenho dos estudantes que fazem os simulados para o Enem. O programa mostra os pontos fracos e fortes de cada aluno e calcula onde o estudante deve focar mais”. Ele comenta que os dados também são utilizados para simular a classificação no Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

“Estamos crescendo mais de 700% ao ano e em 2016 pretendemos lançar novos produtos”, afirma. Ele calcula que mais de 300 mil estudantes já utilizaram o sistema para avaliar o desempenho em simulados do Enem. Outro caso de sucesso é a DPR. O engenheiro Bruno Fagundes Flora conta que a empresa nasceu na Unicamp.

“O foco principal era o setor de óleo e gás, mas como o segmento passa por uma crise, ampliamos os negócios e oferecemos soluções para a redução do consumo de água e energia elétrica para condomínios”. 

Nichos

A Superlógica, empresa de software especializada em sistemas de gestão para pequenas e médias empresas, é outro exemplo de como o setor passa longa da crise - a estimativa de crescimento é de 50% neste ano. Seu diretor Comercial, Carlos Moura, afirma que 2015 está sendo muito bom.

“Crise é oportunidade. Temos produtos específicos para atender as demandas pelo aumento de produtividade e de eficiência das empresas”. Ele comenta que a empresa oferece soluções para cinco grandes grupos: condomínios, assinaturas, imobiliárias, comunicação visual e educação.

O diretor-executivo da Matera System, outra do segmento de tecnologia, Carlos André Branco Guimarães, diz que o faturamento deve crescer entre 30% e 40% neste ano.

“O foco dos nossos negócios estava centrado no setor bancário, mas percebemos que uma crise econômica poderia afetar o segmento e decidimos diversificar. Passamos a ampliar os produtos para atender outros mercados, como meios de pagamento, que agora são regulados pelo Banco Central, e o e-commerce”, detalha.

O executivo comenta que outra aposta que deu resultado foi manter as exportações, menos quando o câmbio não estava favorável.

“A economia americana em recuperação eleva os negócios e tem efeito positivo nas receitas da empresa. A retomada dos Estados Unidos gera uma demanda maior por softwares”.

Guimarães salienta que o mais importante em momentos de baixo crescimento econômico é saber buscar oportunidades em mercados que estão sendo menos afetados. Em tempo: a Matera está com mais de 50 vagas abertas.

Ecossistema ajuda

Representantes do setor de inovação e tecnologia da informação (TI) afirmam que o ecossistema local favorece a criação de startups e o desenvolvimento de empresas de base tecnológica.

“Campinas é a única cidade no País que possui uma lei de incentivo às startups. O município conta ainda com importantes formadores de empreendedores e mão de obra qualificada como as universidades e os institutos de pesquisa”, aponta o diretor-executivo do Núcleo Softex, Edvar Pero Júnior.

Ele diz que os empreendedores locais contam ainda com apoio financeiro por meio de fundos como o Inova Venture Participações (IVP).

O presidente da Associação Campinas Startups (ACS), Wilson Campanholi Júnior, afirma que não existe um conceito exato de startup.

“Não é o tempo de vida de uma empresa que define se ela é ou não uma startup. Usamos como padrão conceitos como a alta taxa de crescimento sustentável e o atendimento a grandes mercados. A análise é sobre a taxa de crescimento e o tamanho do mercado atendido”, explica.

O diretor-executivo da Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova), Milton Mori, diz que as startups locais têm grande potencial de crescimento e geração de valor agregado nos produtos.

“As empresas de alta tecnologia também geram empregos qualificados, com salários mais elevados. A cidade de São Paulo ficou em 12° lugar em um ranking mundial de cidade com mais startups, e Campinas é o segundo grande polo no Estado”. 

As cidades com mais startups no Estado de São Paulo

São Paulo: 592

Campinas: 57

Ribeirão Preto: 18

São José dos Campos: 17

São Carlos: 17

São Bernardo: 16

Santo André: 15

Santos: 15

Fonte: ABStartups

Escrito por:

Adriana Leite