Publicado 06 de Setembro de 2015 - 10h43

Casemiro Reis, presidente do PT em Campinas: para ele, queda é imperceptível e legenda continua forte

Cedoc/RAC

Casemiro Reis, presidente do PT em Campinas: para ele, queda é imperceptível e legenda continua forte

A crise política do governo federal, a situação delicada da economia e a debandada de figuras importantes do PT de Campinas refletiram no número de filiados ao partido na cidade. Os cadastros da legenda no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) caíram de 7.061 para 6.976 em um ano.

Enquanto isso, os rivais dos petistas ampliaram seus quadros. O maior crescimento foi do PSDB, que passou de 4.174 para 4.445, aumento de 6% no período. O PSB, segunda maior legenda da cidade, passou de 5.938 para 6.044 filiados. O PMDB também teve pequeno crescimento, de 2.811 para 2.836. Em números totais, o PT segue com maior número de filiados.

A saída de figuras populares do PT começou com a chegada do prefeito Jonas Donizette (PSB) no Palácio dos Jequitibás, em 2013.

Para conseguir o apoio, de peso, do partido em sua gestão, ele chamou diversos nomes petistas para integrarem seu governo por meio do vereador Jaírson Canário, que assumiu a Secretaria de Trabalho e Renda.

A decisão de Canário de integrar o governo gerou uma crise no diretório municipal, que culminou com a expulsão de 11 filiados em julho do mesmo ano, incluindo o parlamentar, que migrou para o SD.

Em 2105, foi a vez do ex-deputado estadual e ex-vereador Sebastião Arcanjo do Santos, que até então era conhecido como Tiãozinho do PT, e do ex-vereador Carlinhos Camelô migrarem para o PCdoB — e levarem junto cerca de cem militantes.

Cientistas políticos consultados pelo Correio concordaram que o PT só não apresentou perda mais significativa em Campinas, como ocorreu em outras cidades, devido ao trabalho de militância constante e penetração importante no meio acadêmico.

No entanto, para os especialistas, as pequenas variações nas filiações dos partidos na cidade devem ter pouca influência nas eleições de 2016 — os militantes não têm o poder de mudar o panorama político, e em Campinas hoje conta mais a figura do candidato do que da legenda.

O presidente do PT na cidade, Casemiro Reis, afirmou que o diretório não observou variação significativa no número de filiados e explicou que a campanha de filiação no partido é constante. Para Reis, é natural o crescimento das legendas que estão no poder em Campinas, no caso o PSB e o PSDB.

“Quem quer se candidatar a vereador ou tem pretensões, enxerga uma chance eleitoral muito maior no partido que está na Prefeitura. Quem está no poder tem uma série de vantagens econômicas e tem um grupo que quer estar sempre do lado do poder”, disse.

Reis lembrou que o mesmo ocorreu quando o ex-prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT) assumiu a Prefeitura, em 2005. À época, o PDT ganhou centenas de filiados, mas foi esvaziado em 2011, quando explodiu o escândalo do Caso Sanasa.

O partido que chegou a ter a maior bancada do Legislativo, com oito parlamentares, saiu da eleição de 2012 apenas com uma vitória, a do vereador Aurélio José Cláudio.

Os filiados, um por um, com medo de terem seus nomes arranhados pelo escândalo de corrupção no governo Hélio, escolheram legendas como o PMDB, PSB e Solidariedade para se abrigarem.

O presidente do PT afirmou ainda que, diferentemente de outros partidos, o PT não teve um grande ganho de votos quando assumiu o Palácio dos Jequitibás. “Tivemos um ganho maior de filiados no primeiro ano dos governos Lula e Dilma.”

PSDB

Enquanto o PT perde força nacionalmente, seus rivais tentam capitalizar com os protetos anti-Dilma que ocorrem desde março deste ano.

O presidente do PSDB em Campinas, Carlos Alberto Cavallaro, afirmou que movimentos como o Vem pra Rua ajudaram a conquistar filiados mais jovens, com idade entre 18 e 25 anos, ainda que atos pró-impeachment não sejam unanimidade entre os caciques tucanos.

“O movimento contra a Dilma sugere o PSDB e isso ajuda”, falou. O partido, no entanto, demorou para assumir uma postura mais dura em relação à saída de Dilma e cientistas políticos afirmam que o partido poderia ter beneficiado mais da crise petista.

PSB

O secretário de Relações Institucionais de Campinas e presidente do PSB, Wanderley de Almeida, discorda que o aumento de filiados do PSB esteja ligado à chegada ao Paço. Ele afirmou que o maior avanço do PSB ocorreu em 2006, quando o prefeito Jonas Donizette ainda era deputado federal.

“Criamos uma meta que 1% da cidade deveria ser filiada ao partido. Foi uma campanha em massa nas ruas, com carros de som com a voz do Jonas convidando a população para o PSB.”

Almeida destacou ainda que o partido está aberto para filiações de candidatos a vereadores. Recentemente, Emídio de Souza, presidente estadual do PT, acusou dirigentes do PSB de “pescar no aquário” de seu partido.

Como resposta Mário França, o líder estadual pessebista, afirmou que os petistas “que estavam procurando o anzol do PSB”.

PMDB

O secretário de Trabalho e Renda e presidente campineiro do PMDB, Arnaldo Salvetti, aposta na campanha nacional de filiação da legenda para angariar mais militantes na cidade.

“Temos também uma lista grande de filiações para entregar ao TSE em outubro. Acho que ficamos com uns 4 mil vereadores.” Salvetti disse ainda que o PMDB prepara uma campanha nacional “agressiva” para impulsionar filiações.

Para especialista, PSDB está ‘perdendo bonde da história’

O professor de ciências políticas da Universidade Presbiteriana Mackenzie Reinaldo Dias afirmou que o PSDB poderia aproveitar melhor o momento difícil do PT. No entanto, não consegue capitalizar com a crise devido a dissidências dentro do próprio partido. “O PSDB está perdendo o bonde da história.”

Dias disse ainda que o trabalho constante do PT com militantes e a grande ressonância da sigla nas duas grandes universidades de Campinas, Unicamp e PUC, são os principais motivos para a sigla seguir com grande número de filiados na cidade. “A militância petista é estruturada, diferentemente dos outros partidos.”

Para Valeriano Costa, cientista político da Unicamp, o movimento de filiações não terá interferência nas eleições municipais. “Torcida não ganha jogo. E do ponto de vista das eleições, o PT ainda está numa situação muito ruim.”

Costa explicou que, ao contrário de outros partidos que apostam na figura dos políticos para ganharem a eleição, o PT sempre trabalhou o partido como uma marca.

“Muita gente na cidade não sabe qual o partido do Jonas. Mas lembra que foi o Marcio Pochmann que disputou as eleições pelo PT.”

O Partido dos Trabalhadores, porém, está com a imagem extremamente desgastada pelos escândalos e dificilmente reverterá o cenário na cidade. “A verdade é que hoje o PT não tem nem um nome certo para a disputa.”