Publicado 05 de Setembro de 2015 - 9h18

O maquinista Leonel Gonçalves Martins vai operar a locomotiva RSD-8, que foi restaurada em oito meses ao custo de R$ 200 mil; reforço ao turismo

Leandro Ferreira/ AAN

O maquinista Leonel Gonçalves Martins vai operar a locomotiva RSD-8, que foi restaurada em oito meses ao custo de R$ 200 mil; reforço ao turismo

Uma locomotiva a diesel de 1958 volta a circular neste sábado (5) em Campinas depois de passar por oito meses de restauro. A máquina, que operou no transporte de passageiros até 1971, foi completamente recuperada para fazer o mesmo trajeto que a maria-fumaça.

A regional campineira da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) afirmou que o veículo RSD-8, de três eixos, vai ajudar o trem a vapor nos dias de pico.

O diretor-regional da associação, Helio Gazetta Filho, afirmou que hoje o Brasil tem poucas locomotivas a diesel.

O que ocorre é o mesmo que aconteceu com os trens há vapor há quatro décadas, quando eles começaram a ser substituídas pouco a pouco por composições mais modernas. Por isso a ABPF iniciou um movimento de reparo e resgate dos trens a diesel antigos.

“Não podemos assistir de camarote a essas locomotivas desaparecerem também”, falou.

Gazetta montou uma força tarefa para conseguir pelo menos quatro exemplares dos modelos e montar um acervo na associação.

O movimento começou em 2012, quando foi restaurada uma locomotiva que pertenceu à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

A unidade que irá de Campinas a Jaguariúna começou a ser restaurada em janeiro.

Fabricada pela Amarican Locomotive Company, dos Estados Unidos, o modelo elétrico RSD- 8 CC, de três eixos, chegou ao Brasil na década de 50 e operou de 1958 a 1968 na Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Depois, ela foi comprada pela Mogiana, onde ficou até 1971.

Depois de virar Ferrovia Paulista (Fepasa), o trem parou de transportar passageiros e passou a fazer apenas movimentação de cargas. “Ela ficou na ativa até 2013, só fazendo manobra da carga. Estava fraca já. Depois parou de vez”.

O trabalho de restauro custou R$ 200 mil, com a ajuda de fornecedores e descontos em peças. “Se não fosse isso, passaria dos R$ 200 mil, com certeza”. Foi feita uma revisão nos motores e na tração, a parte elétrica foi refeita e o estofado trocado.

“Resgatamos também a pintura original, da Companhia Paulista. Ela estava vermelha mas voltou a ser azul e amarela”.

A composição ajudará a maria-fumaça a fazer o passeio até Jaguariúna em dias de chuva ou quando houver lotação de passageiros. “Ela pode chegar a até 60km/h, mas aqui ela vai andar no máximo a 25km/h. É o nosso padrão”, disse.

Agora a associação almeja uma nova locomotiva a diesel da GM, que tem pouquíssimos exemplares no Brasil. “Vamos aos poucos”, completou Gazetta.

Híbridas

As locomotivas a diesel ou locomotivas híbrida a diesel, geralmente puxam vagões de passageiros e combinam um motor a diesel e elétrico, com o objetivo de poupar energia. É mais fácil alterar a velocidade num motor elétrico do que em um mecânico.