Publicado 04 de Setembro de 2015 - 19h48

Por Eric Rocha

Flagrante de irregularidades no local: universidade possui 12,5 mil vagas de estacionamento disponíveis

Camila Moreira/ AAN

Flagrante de irregularidades no local: universidade possui 12,5 mil vagas de estacionamento disponíveis

Veículos estacionados em cima do canteiro, sobre as faixas de pedestres e até em cima de calçadas. Não é preciso procurar muito para encontrar irregularidades praticadas por motoristas dentro do campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no distrito de Barão Geraldo.

Um problema que incomoda e gera reclamações por parte de estudantes e funcionários da instituição de ensino. Cerca de 40 mil carros circulam pelo campus diariamente e há 12,5 mil vagas de estacionamento disponíveis no total.

Apesar de estarem à vista de qualquer pessoa que transita no local, as infrações, por enquanto, não são passíveis de multas. A atuação dos agentes de mobilidade urbana do município só é possível caso a instituição expresse o desejo e firme um convênio com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), responsável pelo controle do trânsito campineiro. A universidade afirmou que a medida está em estudo internamente.

O Correio esteve no campus nesta semana e, logo ao entrar, já flagrou infrações de trânsito.

Ao longo da Avenida Oswaldo Cruz, próximo a agências bancárias e do prédio do curso de medicina, havia carros em cima do canteiro central e outros estacionados de maneira irregular, em trechos com “tartarugas” no asfalto e sinalização no solo.

Alguns veículos, inclusive, estavam parados sobre a faixa de pedestres, o que forçava algumas pessoas a terem que “desviar” do obstáculo quando a caminhada chegava à rua.

Nos cerca de 10 minutos em que a reportagem ficou em frente a uma unidade do Banco do Brasil, localizado na via, pelo menos quatro carros foram flagrados parados em local proibido.

No entanto, havia vagas de estacionamento disponíveis para os motoristas nos arredores.

Abordado, o funcionário público Aníbal Carvalho admitiu a infração, mas disse que tomou a atitude porque não poderia ficar longe do filho que tem necessidades especiais e estava dentro do veículo.

“Sou obrigado a usar outros tipos de vaga que não a oficial”, afirmou. “É ridículo, é falta de respeito e um perigo. Não existia isso antes, a Emdec entrava, agora não vem mais”, disse uma outra funcionária, que preferiu não se identificar.

O estudante de química Lucas Fernandes afirmou que as irregularidades cometidas pelos motoristas no campus fazem com que os carros ocupem espaços que deveriam ser destinados às pessoas.

“Às vezes, a pessoa precisa atravessar a rua para continuar andando”, disse o universitário, apontando também os Ciclos Básicos como áreas onde o desrespeito às normas de trânsito são recorrentes. O excesso de velocidade, outra infração, também é notada.

“Dá pra ver gente com pressa, muitas vezes. A gente tem que parar na faixa, esperar um pouco, porque o povo passa correndo e não dá pra passar”, contou.

Em frente a entrada principal do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp foi possível ouvir mais reclamações e flagrar outras irregularidades. Muitas carros ocupavam vagas que deveriam ser destinadas aos coletivos.

O motorista de ônibus Marcelo Azarias vai todos os dias ao campus levar pacientes de São João da Boa Vista para atendimentos no hospital. Difícil é achar um dia em que ele não veja uma infração de trânsito no local.

“Aqui é complicado, ninguém respeita o pedestre, nem nada. Eles param em qualquer lugar e a gente fica sem lugar para parar”, reclamou.

O pior trecho do campus, segundo funcionários, era a Rua Carlos Chagas, na altura da portaria do Pronto Socorro do HC. Muitos motoristas estacionavam na calçada e obrigavam os pedestres a seguir pela rua. O trecho é muito estreito, o que fazia aumentar a chance de atropelamentos.

No entanto, na última quarta-feira, foram instalados cones para evitar o estacionamento irregular sobre a calçada.

Convênio

Unicamp e Emdec já assinaram, no passado, um convênio que permitia a entrada dos agentes, assim como ocorre hoje no Aeroporto de Viracopos e na área do loteamento Alphaville Empresarial. O acordo vigorou apenas entre os anos de 2004 e 2008, quando foi desfeito.

Entre os estudantes e funcionários, uma nova parceria e a volta dos amarelinhos não é unanimidade. Enquanto uns defendem a presença dos agentes, outros acham que a solução para os problemas no trânsito deveria ser caseira, promovida pela própria reitoria.

“Tem que haver uma forma do campus se manifestar contra isso. Não vir de fora, pela Emdec”, disse o estudante de engenharia de alimentos Bruno Sobral.

Sobre a uma futura fiscalização, a Emdec informou em nota que a formalização da proposta de um eventual convênio deve partir da universidade.

“As vias da Unicamp estão fora da jurisdição do município, portanto, os agentes da mobilidade urbana não podem realizar fiscalização de trânsito no campus”, informou.

A universidade, também em nota, disse que o estabelecimento de um acordo está sendo discutido de maneira interna. A decisão final dependerá do Conselho Universitário, órgão máximo de deliberação da instituição.

“A Prefeitura do Campus vem fazendo um levantamento das irregularidades praticadas”, apontou.

SAIBA MAIS

As infrações no trânsito dentro da universidade viraram até motivo de piada nas redes sociais. A página Os Piores Motoristas da Unicamp, no Facebook, traz fotos das irregularidades registradas dentro do campus. Os flagrantes geram várias curtidas e comentários.

O objetivo das postagens é fazer com que os motoristas sejam marcados e identificados nas imagens, para que passem vergonha na internet.

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Eric Rocha